Beatificação de Isabel Cristina “é um não que a Igreja pronuncia ao feminicídio”, afirma Dom Geraldo Lyrio Rocha

Em coletiva de imprensa, após a Celebração Eucarística de beatificação da Serva de Deus Isabel Cristina, proclamada beata, no último sábado, 10 de dezembro, o Arcebispo Emérito de Aparecida (SP), Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, o Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, o Arcebispo Emérito de Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha, o Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, o Postulador da causa de beatificação de Isabel Cristina, Dr. Paolo Vilotta, o Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena (MG), Monsenhor Danival Milagres, bem como o tio de Isabel Cristina, Miguel Mrad, destacaram o júbilo dessa beatificação para a Arquidiocese de Mariana e para a sociedade civil e explicaram os próximos passos rumo a canonização da beata.

Na oportunidade, Dr. Paolo Vilotta explicou que para tornar-se beato é dispensada a comprovação de um milagre em caso de martírio como foi com Isabel Cristina. No entanto, “as normas do Dicastério para as Causas dos Santos requerem a confirmação de um milagre, para a canonização”, frisou. Por essa razão, para que a Mártir possa ser canonizada e proclamada santa, religiosos e leigos necessitam se unir em oração para que seja reconhecido um milagre com a sua intercessão.

De acordo com Dom Airton, a beatificação de Isabel Cristina abriu uma grande oportunidade para o trabalho de evangelização na Arquidiocese de Mariana. O Arcebispo ainda destacou que a santidade deve ser exercida por todos, leigos e religiosos.

“O Papa Francisco insiste que a santidade é para todos nós, todas as pessoas são convidadas a ser santas e Isabel Cristina é o exemplo de que isso é verdade. Nós temos que ampliar o horizonte. Já temos quatro Servos de Deus no caminho: Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, Monsenhor Horta, Floripes Dornellas de Jesus (Lola) e Dom Viçoso. Quando esses quatro forem declarados beatos e santos depois, como é que vai ser? Aí é a nossa vez, de todos nós, quem é que vai estar no caminho?”, disse.

Já Dom Gil Antônio Moreira apontou que a beatificação de Isabel Cristina marca também a história da Arquidiocese de Juiz de Fora. Ele contou que a jovem “foi martirizada no centro da cidade, em um apartamento muito próximo a Catedral e ao Cenáculo, onde há a exposição do Santíssimo perpetuamente. Ela muitas vezes saía do seu apartamento para estudar dentro da igreja, diante do Santíssimo, além de rezar”.

O prelado ainda afirmou que “ela não foi somente uma Mártir; nós não estamos celebrando hoje só o martírio, nós estamos celebrando hoje uma vida dedicada a fé. Uma vida marcada pela sua religiosidade. Foi por causa do amor de Cristo que ela foi capaz de ser Mártir”. Por fim, Dom Gil compartilhou que enquanto estava na missa, lhe ocorreu o pensamento de colocar Isabel Cristina como padroeira do Vicariato da Juventude, em Juiz de Fora.

Segundo Dom Geraldo Lyrio Rocha, a beatificação de Isabel Cristina é um grito profético da Igreja. “A beatificação de Isabel Cristina vem nos falar da dignidade da mulher, da sacralidade da vida e é um não que a Igreja pronuncia ao feminicídio em nosso país. A voz da Igreja tem que se levantar veementemente contra o feminicídio, contra a exclusão da mulher, contra a discriminação da mulher e a favor da igualdade fundamental de todas as pessoas humanas criadas a imagem de Deus”, ponderou.

Nessa ocasião, o Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis salientou que Isabel Cristina é uma leiga proclamada Bem-Aventurada, Virgem e Mártir. Ele ainda explicou que ela deu “a sua vida em defesa da dignidade da sua pessoa, portanto, da pessoa humana, que é criada a imagem e semelhança de Deus, é templo do Espírito Santo e também do testemunho desse valor evangélico que é a castidade, que é a virgindade. Ela aprendeu a viver esse carisma, que é o amor, porque a família era vicentina. Ela viveu a sua vida como leiga, sobretudo, viveu o amor. Por isso, ela é exemplo para todos os jovens”.

Por sua vez, o senhor Miguel Mrad, tio da nova Beata, emocionado com a proclamação dela, disse que Isabel Cristina é exemplo para todos nós. Ele destacou que a jovem sempre foi uma pessoa que buscava a Deus e lembrou que “nos intervalos dela na escola, seja no ensino médio ou seja no cursinho em Juiz de Fora, sempre foi uma pessoa de procurar estar ali junto ao Santíssimo, em busca de Deus”, disse.

Para finalizar a coletiva de imprensa, o Monsenhor Danival Milagres agradeceu todas as pessoas envolvidas para que a cerimônia acontecesse. “A santidade é graça, então a nossa gratidão, primeiramente, é a Deus. Deus que nos da esse momento de alegria, de sermos testemunhos desse momento histórico na nossa Arquidiocese de Mariana e da nossa cidade de Barbacena. Expresso a minha gratidão aos nossos funcionários da paróquia, que se dedicaram incansavelmente na preparação e na reforma da capela do Sagrado Coração de Jesus e Maria, capela essa que vai receber os restos mortais da Beata. Então, quero agradecer aos nossos funcionários, a todos os voluntários e a prefeitura de Barbacena por ter cedido o espaço do parque de exposições e a infraestrutura para realização dessa solene liturgia. E a gratidão ao Cardeal, ao Dom Airton, ao Dom Gil, ao Dom Geraldo e a todos que se empenharam. A gente também expressa a gratidão e o carinho a todos os familiares”, ressaltou.

Fotos: ©Luiz Felipe/Arquidiocese de Mariana

Fonte: Arquidiocese de Mariana