Nos dias 21 e 22 de fevereiro, a cidade de Varginha tornou-se cenário de graça e júbilo para a Igreja, ao acolher as solenes celebrações dos Votos Perpétuos e da Ordenação Diaconal de nove religiosos da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos).
Provenientes de diversas regiões do Brasil — e também do Haiti — estes jovens disseram seu “sim” definitivo a Deus e à Igreja: Bruno H. Andrade (Piumhi-MG), Fernando Júnior (Bacabal-MA), Flávio Bueno Fernandes (Lucas do Rio Verde-MT), Janderson T. dos Santos (Regente Feijó-SP), Jean Jacques Pascal (Haiti), Kelven S. Pereira (Ingaí-MG), Leonardo da S. Francilino (Novo Horizonte do Norte-MT), Luiz H. Zolin Ciarini (Guaporema-PR) e Roberto de J. Nascimento (São Paulo-SP). Chamados a viver em união com Cristo a favor dos irmãos, escolheram como lema para a vida religiosa perpétua e para o ministério diaconal o versículo de 1Jo 4,16: “Nós temos reconhecido o amor de Deus por nós e nele acreditamos.” Este lema traduz não apenas uma profissão de fé, mas um programa de vida: reconhecer o Amor, crer no Amor e tornar-se expressão concreta desse Amor no serviço ao povo santo de Deus.
Votos Perpétuos: entrega definitiva ao Coração de Cristo
Na noite de sábado, 21 de fevereiro, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, os fratres professaram publicamente seus Votos Perpétuos de castidade, pobreza e obediência, selando para sempre a aliança iniciada no dia de sua primeira profissão religiosa. A profissão perpétua não é apenas um compromisso jurídico ou disciplinar; é um ato profundamente teológico. Pela consagração definitiva, os religiosos configuram-se mais intimamente a Cristo obediente ao Pai, pobre por amor e casto para o Reino (cf. Fl 2,6-8). Trata-se de uma resposta madura e irrevogável ao chamado divino, expressão da primazia da graça e do senhorio de Deus sobre toda a existência.
A espiritualidade dehoniana, centrada no Coração aberto do Salvador, encontra nesse gesto sua expressão mais eloquente: uma vida oferecida como oblação, reparação e disponibilidade missionária, em comunhão com a Igreja e a serviço do povo de Deus.
Ordenação Diaconal: configurados a Cristo Servo
No domingo, 22 de fevereiro, na Paróquia Divino Espírito Santo, os mesmos religiosos receberam o primeiro grau do sacramento da Ordem: o Diaconato. A celebração foi presidida por Dom José Eudes Campos do Nascimento, que, pela imposição das mãos e oração consecratória, conferiu aos candidatos a graça sacramental própria do ministério diaconal.
Em sua homilia, marcada por ternura e firmeza pastoral, Dom José Eudes recordou que todos somos chamados a ser canais da graça de Deus, especialmente nos “desertos” da vida. É justamente nos terrenos áridos — pessoais, comunitários e sociais — que o ministério deve florescer, transformando o que é estéril em espaço fecundo de esperança e vida.
O bispo também destacou três elementos quase comuns presentes na história vocacional de muitos dos ordenados: a influência das canções vocacionais do Pe. Zezinho; o amor profundo ao Sagrado Coração de Jesus; e a devoção filial à Santíssima Virgem Maria. Sabe-se que o chamado provém sempre do Senhor, é Ele o Dono da messe, embora o chamado manifesta de formas diversas, a missão é a mesma: como Jesus “passar fazendo o bem.” Assim, estes neodiáconos tornam-se sinais vivos de que Deus continua chamando, sustentando e enviando operários para sua messe.
O diaconato insere o ordenado de modo novo e ontológico na missão de Cristo Servo. Pelo sacramento da Ordem, os novos diáconos são configurados a Cristo que veio “não para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45). São chamados a exercer o ministério da Palavra, do Altar e da Caridade, tornando-se sinal visível da Igreja servidora e missionária.
A sucessão apostólica, manifestada no gesto da imposição das mãos, recorda que o ministério não é iniciativa humana, mas dom recebido e transmitido na comunhão da Igreja. Assim, a vida consagrada e o ministério ordenado encontram-se harmonicamente na vocação desses novos diáconos religiosos, chamados a viver a radicalidade evangélica no coração do povo de Deus.
Um sinal de esperança para a Igreja
Essas celebrações, marcadas pela participação de familiares, confrades e fiéis leigos, foram expressão viva da fecundidade vocacional que o Senhor continua a suscitar em sua Igreja. Em tempos desafiadores, a entrega generosa desses jovens religiosos torna-se sinal de esperança e testemunho de que o Evangelho permanece capaz de encantar e transformar vidas.
A Diocese se une em ação de graças, suplicando que o Senhor sustente os novos professos e diáconos na fidelidade cotidiana, e que o Coração de Jesus os torne pastores segundo o seu próprio Coração, dóceis ao Espírito e atentos às necessidades dos mais pobres.
Que Maria, Mãe da Igreja, acompanhe seus passos e os conduza sempre ao “sim” renovado de cada dia.
Texto: Padre Erick Max Humberto, scj | Diácono Kelven Samuel Pereira, SCJ
Fotos: Giovanna Evaristo































