Bispo faz videoconferência e promove momentos de partilha e fraternidade com seminaristas

Na manhã de quarta-feira, 01º de julho, o bispo diocesano de São João del-Rei, Dom José Eudes Campos do Nascimento, se encontrou com os seminaristas do Seminário São Tiago, através de uma videoconferência, para um momento de partilha e espiritualidade fraterna.

Após a oração inicial, o bispo trouxe como objeto de reflexão um artigo publicado pelo site do Regional Leste 01, da CNBB, fruto de uma pesquisa realizada com cerca de dois mil seminaristas brasileiros. O texto trata dos caminhos da formação presbiteral neste tempo singular da pandemia e do modo como os formadores e formandos o tem vivenciado. O texto elucida desafios enfrentados e também as novas perspectivas que este tempo, apesar de doloroso e tenso, pode trazer à experiência formativa e à própria Igreja em sua missão evangelizadora.

Em seguida, houve a oportunidade de exposição das experiências pessoais de cada seminarista que, desde o inicio da quarentena, deixaram a sede formativa
em Juiz de Fora e se encontram em suas casas, junto às famílias. Este, aliás, foi um ponto
unânime entre os seminaristas, que destacaram a convivência e a proximidade com os
familiares como uma grande riqueza deste tempo.

Segundo o seminarista Jeferson Coimbra, o fato de estar em casa possibilita grandes pensamentos e reflexões. “A possibilidade de estar inserido no dia a dia do lar ajuda a recobrar a consciência da luta diária do povo de Deus que labuta com esforço para prover o sustento e cumprir com suas obrigações, ideia que, às vezes, pode ser anestesiada pela falta de inserção cotidiana no núcleo familiar”.

Foi ressaltado ainda o desafio de enfrentar e conviver com os problemas diários da família e de adaptar-se ao ritmo próprio da casa, que difere da estrutura do seminário. “O ambiente do lar conduz a uma experiência de autoconhecimento do seminarista, tendo como base a própria percepção da personalidade dos pais e irmãos, conduzindo, portanto, a um amadurecimento e integração da própria personalidade e suas fraquezas. A pandemia e o fato de estar em casa também abre margens para que se busque um fortalecimento da espiritualidade”, conclui o jovem.

Durante a conversa, foi relatado o esforço de se perseverar em um ritmo de orações marcado, sobretudo, pela Liturgia das Horas e, também, pelas orações pessoais. Em muitos casos a própria família tem sido um ambiente de cultivo da espiritualidade, conforme o testemunho de alguns que mantêm o costume de rezar o terço em família.

Com relação aos estudos, não houve, conforme a partilha, prejuízo acadêmico. O ensino remoto, apesar das exigências naturais da distância, manteve e até mesmo acentuou o ritmo das atividades acadêmicas. Alguns apontaram o desafio de elaborarem o trabalho
de conclusão de curso (TCC), sem a presença física dos orientadores, e mesmo de materiais didáticos que se tem acesso na própria biblioteca do seminário.

A dimensão pastoral também foi lembrada, sendo esta marcada principalmente pelos
termos criatividade e readaptação. “Mesmo que forçosamente, por causa da pandemia, este tempo impeliu as atividades de evangelização a responderem o convite do Papa Francisco de uma Igreja que sai das sacristias e descobre novas possibilidades e campos onde deve estar presente cumprindo a sua missão de anunciar. O maior exemplo são as redes sociais, onde se deve cultivar um apostolado responsável e ardoroso, não se omitindo de ser presença nesse areópago. Por isso é um tempo de criatividade, onde, conforme algumas experiências partilhadas, busca-se não só novos meios para a transmissão de celebrações, mas sim uma nova maneira de inserir-se na comunidade e estar próximos do povo, utilizando-se de novos métodos. Simultaneamente, dilemas são propostos e realidades difíceis emergem em meio a tudo isso, como a desigualdade social, que afeta a pastoral no sentido de que nem todos tem um acesso eficaz à internet e à outras mídias sociais.”, explica Coimbra.

Por fim, foi refletido que este tempo é marcado por uma tensão esperançosa e por
um sentido de readaptação que faz parte da própria dinâmica da vida. Utilizando-se do
exemplo de alguns sacerdotes mais idosos, destacou-se o fato de que a vida é sempre feita
de novidades que forçam à readaptação. Saber perceber a ação do Espírito e a presença
de Deus no meio de tudo isso é missão da Igreja e deve ser uma conclusão viva e encarnada no coração de todos os evangelizadores.

O encontro se encerrou com uma benção concedida por dom José Eudes.

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).