Bispo preside missa e dedicação do novo altar da Igreja do Rosário, em Lavras

No dia 6 de outubro de 2023, véspera dia que a Igreja celebra a Festa de Nossa Senhora do Rosário, a igreja mais antiga de Lavras, localizada na região Sul de Minas Gerais, recebeu um novo altar. Na data, houve celebração de missa e cerimônia de dedicação e bênção, conduzida pelo bispo diocesano de São João del-Rei, Dom José Eudes Campos do Nascimento.

A celebração contou com a presença do pároco, Padre Túlio, scj, do vigário paroquial, Padre Bruno, scj, e de dezenas de fiéis paroquianos, todos, ansiosos com a apresentação e benção das novas peças do altar e ambão, instaladas na Igreja do Rosário. “Nossa Paróquia Sant’Ana, assim, renova seu compromisso com o patrimônio e a beleza litúrgica, dignificando nossas celebrações”, pontua o pároco, Padre Túlio.

 

A cerimônia

O tradicional rito de dedicação do altar teve início com a invocação dos Santos, através do cântico da Ladainha de Todos os Santos. Em seguida, após a oração de dedicação e consagração, o bispo ungiu o altar com o Santo Óleo do Crisma. Pela unção do crisma o altar torna-se o símbolo de Cristo, que é o «Ungido» de preferência aos demais e assim é chamado; na verdade, o Pai. O ungiu pelo Espírito Santo e O constituiu o Sumo Sacerdote, para que oferecesse no altar do seu Corpo o sacrifício da vida pela salvação de todos.

Dom José Eudes, ainda, incensou o altar, e terminando o rito, houve o revestimento e iluminação do altar. O incenso é queimado sobre o altar para significar que o sacrifício de Cristo, que aí se perpetua de maneira sacramental, sobe para Deus em odor de suavidade; mas também para exprimir que as orações dos fiéis sobem até ao trono de Deus, por Ele aceites e a Ele agradáveis. A incensação da nave da igreja indica que ela, por meio da dedicação, se torna casa de oração; mas em primeiro lugar incensa-se o povo de Deus, pois ele é o templo vivo, no qual cada fiel é altar espiritual.

Já o revestimento, indica que o altar cristão é a ara do Sacrifício Eucarístico e a mesa do Senhor, em volta da qual os sacerdotes e os fiéis, numa mesma e única ação, embora com função diversa, celebram o Memorial da morte e ressurreição de Cristo e comem a Ceia do Senhor. Por isso, o altar é preparado e festivamente ornado como mesa do banquete sacrificial. Isto claramente significa que ele é a mesa do Senhor, da qual todos os fiéis se aproximam com alegria, para se alimentarem do alimento divino, o Corpo e o Sangue de Cristo imolado.

Os ritos da unção, da incensação, do revestimento e da iluminação do altar exprimem, em sinais sensíveis, alguns aspectos daquela obra invisível que o Senhor realiza por meio da Igreja quando ela celebra os divinos mistérios, principalmente a Eucaristia. Destaca-se o altar, que para a Igreja representa o próprio Cristo.

Em hebraico, a palavra altar significa “lugar de matança”. Em grego, significa “lugar de sacrifício”. Em latim, vem de altare, de altus, que significa “plataforma elevada”. Por isso, desde a remota antiguidade, um altar é um lugar elevado ou pedra consagrada, que servia para a celebração de ritos religiosos dirigidos à divindade.

Sobre a Igreja do Rosário

O nome original do templo era capela de Sant’Ana, quando de sua edificação, entre 1751 e 1754. Ela foi elevada à condição de igreja matriz em 1760, após a transferência da sede paroquial que até então ficava em Carrancas.

No início do Século XIX foi construída uma igreja em homenagem à Nossa Senhora do Rosário que ficava onde hoje é o alto da Praça Leonardo Venerando. Esta edificação foi demolida em 1904, quando se iniciava a construção da nova Matriz de Sant’Ana. Em 1917 esta foi inaugurada, havendo assim a troca de nomes das igrejas: a velha matriz passa a ser a igreja do Rosário.

Na época da criação do município de Lavras (1831), o padre Francisco de Assis Braziel, o padre Tutu, lecionava aulas de Latim, Francês, Geografia, Desenho, Aritmética e Música num dos cômodos da velha Matriz de Sant’Ana. Além disso, havia um cemitério nos arredores da igreja, utilizado até 1853, quando foi criado o cemitério de São Miguel.

No Século XX, a partir dos anos 1930, a igreja foi aos poucos perdendo destaque e ficando abandonada. Em 1944 a construção colonial esteve prestes a ser demolida e ver seu terreno dar lugar a um centro comercial. Porém, através dos esforços de vários lavrenses, em especial o professor José Luiz de Mesquita e o jornalista Caio Aurélio, a igreja foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1948. Em 2002, a igreja também foi declarada patrimônio municipal lavrense. (Fonte: Prefeitura Municipal).

Fotos: Paróquia Sant’Ana de Lavras.