Conversão a Politica Pública

A cada Ano a Igreja no Brasil (CNBB) nos chama a uma conversão sincera a partir da Campanha da Fraternidade, este ano em nossas mãos, mente e coração, propõem a “Fraternidade e as políticas públicas” como objeto de nossa conversão e clara intenção em “Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum como sinais de fraternidade.”

Dando enfoque aos verbos “conhecer” como são formuladas e aplicadas as politicas públicas, “Despertando” as consciências de cada um de nós para “promover” a formação politica dos membros de nossa Igreja, especialmente os jovens – “protagonistas” – em vista do exercício da cidadania, nos chamando a sermos “libertados pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).

Com esta proposta, somos convidados a converter nossa forma de pensar a “política como coisa suja!” que é comum ouvirmos ou já termos dito esta frase. A política está para além e aquém dos partidos políticos e dos “agentes públicos” (eleitos pelo voto). “Política é a ciência que tem como objetivo a felicidade humana” (Aristóteles), “não é coisa suja!” Em uma frase a politica é: O “cuidado da cidade como lugar acolhedor”.

Política Pública é a “resolução de problemas” na esfera municipal, estadual e federal que envolve seus cidadãos. Quando esta não atende ao que Aristóteles chama de “felicidade humana”, não é possível dizer que a política é boa, pois não atende nem ao “direito” e nem a “justiça” dos usuários (o povo).

A política “ideal” deve acontecer pela mobilização especifica, de forma “pluralista” (Participação direta do povo), sem esta participação do povo é sempre um “política de governo” que favorece uma classe e se torna “elitista” (serve somente a um grupo de pessoas ou organizações, mercado e seus interesses).

Neste tempo da quaresma e CF 2019, a Igreja convida a sermos agentes cristãos de transformação da realidade que nos cerca, e a palavra de ordem é PARTICIPAÇÃO na sociedade organizada em conselhos, conferências públicas, referendos, plebiscitos, associações, reuniões das câmaras municipais e das organizações de direitos humanos. E também usar as ouvidorias, as mídias e a participação direta nas leis de iniciativas popular, para que aconteça a politica de “estado” e não somente vigore a politica de “governo”, com seus interesses pessoais e sem instabilidade e segurança.

O que fazer? Cabe de nós a conversão sincera começando pela rua, bairro e cidade, seguindo este ciclo:

1º. Identificar problemas e fazer uma agenda;

2º. Formular e buscar soluções;

3º. Tomar decisões que é o “Fazer ou não” Juntamente com os “agentes políticos” (Vereadores, prefeitos, agentes públicos – concursados ou contratados),

4º. Implementação

5º. Avaliação e monitoramento (fiscalização).

As políticas públicas fazem parte da Bíblia quando o Profeta Isaías nos diz: “Precisamos do Direito e da Justiça para a efetivação da liberdade” (Is 1, 27). Ou, “Onde está o seu irmão” (Gn 4,9) e seu compromisso com ele (Abel) é uma questão de conversão para a politica pública.

Com esta campanha a Igreja quer sensibilizar a população para que entenda que: “Sem democracia e a participação da sociedade (popular) as politicas tendem a refletir mais a força do agente do mercado, de grupos políticos ou mesmo das próprias burocracias estatais” (CNBB–CF 2019 e 2018, n. 23), A nós cabe não só pedir para fazer algo, mas que haja uma política com ÉTICA.

Em nossa diocese a CF não deve se resumir em levantar dados do que temos ou não, após vê o que de triste e doloroso acontece do nosso lado. Precisa ir além, fazer algo concreto é eficaz como contribuição para um mundo melhor que o Papa Francisco chama nossa atenção na Laudato Sí: “Como vamos deixar a terra para outros depois de nós?” é a responsabilidade de darmos o melhor de nós para aquilo que hoje nos desafia que é o “resolver problemas que nos cercam” (Política Pública).

Nossa ação deve começar pela superação da celeuma que se criou entre Fé e politica, precisa romper isso! Por que é no dia a dia, no chão e na realidade do povo que a fé e a politica acontece. Fé e politica é a forma que nós cristãos temos de evitar a ALIENAÇÃO. Hoje, o Povo de Deus que é maior que o “povo da Igreja”, precisa de nós.

É preciso superar a “Síndrome de Dom Quixote” (Luta com moinhos de vento). Fé é política caminha junto, no chão da realidade, no aqui e agora! Só faremos isso superando o “medo” que se impõem atualmente aos grupos, as minorias sociais e pessoalmente. A nossa Igreja deve e sempre foi a Igreja da Bíblica ESPERANÇA e não do “medo”. Aquela “esperança do verbo esperançar” (Paulo Freire), tendo a certeza de que o Espírito Santo nos move.

Por fim, nossa conversão nesta quaresma será plena se participarmos de forma direta, dos conselhos, fóruns, audiências públicas, reuniões, associações, sindicatos, pastorais sociais e etc. Os “agentes públicos” não gostam de ouvir a população, mas é função de cada cidadão, dizer para os que se dizem “administradores políticos”, que dizem que “ouve” o povo, mas depois de eleitos não ouvem “quase ninguém”.

Nossa missão é participar das políticas públicas, da construção de uma cidade/sociedade acolhedora, como alerta Jesus: “Toda vez que você fez isto há uma dos meus irmãos, foi a Mim que fez” (Mt 25, 40).

Um dia a grande autoridade Romana perguntou a Jesus: “O que é a verdade”? Comblan assim definiu: “A verdade Pilatos, é estar do lado dos pobres” nas ouvidorias, nas mídias, nos movimentos sociais, nas pastorais, nos referendos, nos plebiscitos e nas formulações de leis de iniciativa popular é estar do lado do Evangelho, do lado de Cristo e do seu Reino.

Fonte de pesquisa:

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada: edição pastoral. São Paulo: Paulus, 2018.

CNBB. Campanha da Fraternidade 2019: texto base. Brasília, DF: CNBB, 2018.

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).