Da tradição familiar ao cuidados com a saúde, veja o que fazer com os ramos após a procissão

As celebrações da Semana Santa começam no neste domingo, 14, com a cerimônia do Domingo de Ramos. A data recorda a entrada triunfal de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. Na Diocese de São João del-Rei a programação nas 42 paróquias tem início logo cedo com missas, benção de ramos e procissões. Em alguns lugares a data conta ainda com a procissão do Senhor do Triunfo.

Para ornamentar as igrejas e presentear os fiéis, algumas pessoas, de forma voluntária, saem pelos campos da região em busca das palmas e ramos. Uma atitude singela que faz toda a diferença na realização do rito, afinal, foi com os ramos em mãos que Cristo foi aclamado pelos judeus.

Simplicidade esta herdada por Vanda Abreu que, seguindo o exemplo da mãe, Dona Alzira, recolhe ramos em todo o bairro de Matosinhos. De casa em casa, a manicure preserva a tradição familiar e recorda, com alegria, os feitos deixados pela mãe, falecida há quase 10 anos. “Eu a via acordar cedo, colher os ramos e sair distribuindo pela vizinhança. Depois, juntava os mais bonitos e levava para o Bom Jesus, para enfeitar a Igreja. Hoje, sou eu que faço isso. E faço com orgulho e alegria. É muito gratificante”, destacou.

Quem também herdou um aprendizado dos pais foi Dona Nelza que participa anualmente no centro de São João del-Rei. Segundo a aposentada, a data uma boa oportunidade para abençoar um “galinho” de Erva de Santa Maria e reforçar com a fé aquela proteção medicinal que a natureza já oferece. “Meus pais sempre traziam um galinho para ser abençoado. Mantenho esse costume de trazer, receber a benção do padre, fazer chá e tomar com fé”.

Após a celebração, os ramos são guardados e, no ano seguinte, são queimados, transformados em cinzas, e utilizados na Quarta-Feira de Cinzas para colocar na cabeça das pessoas. Para o seminarista Thairo Guimarães, “ter esses ramos em casa não é simpatia, mais, um sinal do cristão autêntico que vive a conversão, a penitência e o jejum”.

Pode não ser simpatia, mas dona Maria Mercedes Soares já tem destino certo para a palma que carrega na manhã de domingo. “Espero ela secar, queimo e distribuo as cinzas em minha casa. Falam que acalma a tempestade e protege a casa de raios e trovões”.

No centro de São João del-Rei, a cerimônia terá início as 09h30, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os ritos serão conduzidos pelo bispo diocesano, dom José Eudes Campos do Nascimento.

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).