Domingo de Ramos

Lc 22,14-23,56

  “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.

No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepulto e ressuscitado, o qual, ao entrar em Jerusalém, preanunciou a sua majestade. Os cristãos levam ramos em sinal do régio triunfo, que, sucumbindo na cruz, Cristo alcançou. De acordo com a palavra do Apóstolo: “Se com ele padecemos, com ele também seremos glorificados”, deve-se, na celebração e catequese deste dia, salientar o duplo aspecto do mistério pascal.

A liturgia nos propõe dois evangelhos; o primeiro lido antes da procissão de ramos e o segundo que é lido após a procissão. O Segundo evangelho é retirado de Lc 22,14-23,56. A perícope narra os eventos fundamentais da história da salvação. O evangelho de Lucas é chamado “evangelho do caminho”, pois narra o caminho da Palavra partindo da Galileia até chegar em Jerusalém.

Tudo no evangelho lucano conflui para Jerusalém: é nesta cidade que vai irromper a Salvação. Na cidade santa, Jesus realiza o último ato do seu programa de vida anunciado na sinagoga de Nazaré (Lc 4,18-21).

Nesse longo evangelho podemos notar que Lucas com uma habilidade de historiador não se limita a descrever um acontecimento trágico e comovente. O evangelista é um pregador que tem por objetivo envolver os leitores no seguimento de Jesus. “Se sua narração suscita a simpatia dos leitores para o mártir humilhado e fiel, a sua palavra de evangelista leva os cristãos a se encaminharem no seguimento de Jesus, torna-os protagonistas ativos da paixão, como Pedro, que se arrepende, ou Simão de Cirene, que carrega a cruz atrás de Cristo.” (FABRIS, R.; MAGGINI, B., 1992, p. 214)

O relato bíblico de Lucas revela a força de uma narrativa que educou os primeiros Cristãos para um testemunho de fé por meio do martírio. Este testemunho tem sua origem não em sistema teológico ou moral, mas pela fidelidade a uma pessoa concreta. Assim como Jesus é o mártir fiel ao Pai e solidário com os seres humanos, assim o segue o discípulo, levado por uma adesão a Jesus o discípulo é capaz de dar a vida.

Ser cristãos significa considerar o caminho de Jesus Cristo como o caminho justo para o ser humano – como aquele caminho que conduz à meta, a uma humanidade plenamente realizada e autêntica. Ser cristãos é um caminho, ou melhor: uma peregrinação, um ir juntamente com Jesus Cristo. Um ir naquela direção que Ele nos indicou e nos indica.

Referências:

BENTO XVI. Um caminho de fé antigo e sempre novo: pregações para o ano litúrgico ano C. Tomo 3. São Paulo: Molokai, 2017.

FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os evangelhos II. 3 ed. São Paulo: Loyola, 1998.

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).