Fé e tradição marcam Semana Santa em São João del-Rei

Em um país de grandes dimensões em que mais da metade da população é católica, não é de se estranhar que grandes manifestações religiosas tomem conta da Semana Santa. Em todas as regiões do Brasil as celebrações são marcadas pelas tradições populares e pela fé no Cristo Ressuscitado.

Em São João del-Rei não é diferente. Você pode não ter reparado mas tem coisas que acontecem aqui que não se encontram em lugar algum. São peculiaridades. Oficio de Trevas, tapetes de rua com areia da Serra do Lenheiro, combate de Sinos, passinhos para visitações, costumes que passam de pais para filhos. É uma riqueza que estimula a fé.

O Tríduo Pascal, que recorda e atualiza a Paixão, morte e ressurreição de Jesus é o ponto alto do calendário litúrgico da Igreja Católica. Pela Diocese, uma vasta programação tomou conta das 43 paroquias nos últimos dias da Semana Santa.

QUINTA-FEIRA SANTA

Nas paróquias, momentos de oração e criatividade fizeram presentes durante a celebração da Ceia do Senhor. Com encenação, os sacerdotes recordaram a ação de Jesus, lavando os pés de seus paroquianos. Na Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, como de costume, a encenação ocorreu na parte externa do templo, na Praça Francisco Neves e contou com a presença da Orquestra Ribeiro Bastos que entoou composições como o “Domine” e “tu mihi lavas pedes” (“Senhor, lavai-me meus pés”), todas em latim, de autoria do padre José Maria Xavier, além do sermão do “Mandatum”, proferido por Frei Almir Ribeiro Guimarães, meditando sobre a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio e sobre o preceito de Nosso Senhor Jesus cristo sobre o Amor fraterno.

A cena, realizada há quase dois mil anos atrás, motiva o cristão ao serviço, a descruzar os braços e ir ao encontro do próximo. Ao final da celebração, os “atores mirins” foram presenteados com lindos pacotes de amêndoas, uma tradição peculiar da culinária são-joanense, que dá um “gostinho mais doce” nessa época do ano. “O  Lava pés é uma das ilustrações mais sugestivas do mandamento novo. Ensina-nos que o serviço pode transformar em gesto profundo de amor, sobretudo em um mundo domingo pela mentalidade de competição. O distintivo do cristão deve ser o amor desinteressado, concreto, humilde, a exemplo do Mestre Jesus”, pontua o bispo, Dom José Eudes Campos do Nascimento.

Ainda na quinta-feira, celebrando a Instituição da Eucaristia, as cerimônias da quinta-feira contaram também com a desnudação do altar, transladação e adoração ao Santíssimo Sacramento.

SEXTA-FEIRA SANTA

Em clima de silêncio a sexta-feira da Paixão, 07, amanheceu com jejum, oração e reflexão em diversas paróquias da diocese. Vigílias, Vias-sacras, teatros, ofícios e visita às igrejas foram algumas atrações religiosas deste importante dia de fé para o católico.

Pela manhã, na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, houve a realização do Ofício de Trevas. Já à tarde, Padre Javé Domingos da Silva, conduziu o sermão das Sete Palavras. O tradicional rito, que é acompanhado pela Orquestra Ribeiro Bastos, deu sequência à Ação Litúrgica, celebrada em todo o mundo às 15 horas. A celebração, que não possui consagração, é dividida em diversos atos, dentre eles, o emocionante Canto da Paixão, a Oração Universal, veneração e Beijo da Cruz.

Olhar atento, coração aberto. Esta era a cena, em muitas paróquias, na noite de sexta-feira. Titulada como “Descendimento da Cruz”, a cerimônia paralitúrgica é conduzida por um pregador que, com atualidade, reflete a tocante cena com ações corriqueiras da atualidade. Este ano, no centro de São João del-Rei, a cena foi narrada pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Valter Magno de Carvalho. A tocante cena foi assistida por milhares de fiéis na escadaria da Igreja Nossa Senhora das Mercês, além dos telespectadores da Tv Aparecida, em rede nacional, que puderam acompanhar cada detalhe, na comodidade de sua casa.

A lua já seguia alta quando, aos poucos, placa, coroa de espinhos e cravos eram retirados da imagem de Cristo na cruz. Interpretando José de Arimatéia e Nicodemos, Monsenhor Geraldo Magela da Silva e Padre Javé Domingos retiravam os objetos no comando do pregador. A cena teve seu término com o tocante canto da Verônica: “O Vos Omnes”, procissão e “sepultamento”. “Na cruz, Jesus vive de forma radical seu amor pela pessoa humana”, destaca Dom Valter.

Assim como na Paróquia do Pilar, outros lugares também aderiram a cerimônia paralitúrgica para uma reflexão maior sobre o mistério da morte de Cristo.

SÁBADO SANTO

Já no último sábado, 08, a Igreja Católica realizou a Vigília Pascal. A celebração, em caráter solene, é considerada “a mãe de todas as vigílias” e recorda a noite santa em que Jesus Cristo passou da morte para a vida. A celebração inicia-se fora do templo, onde o sacerdote abençoa o fogo e acende uma grande vela chamada de Círio Pascal, que representa Cristo, a luz do mundo. Os fiéis acendem suas velas no Círio e caminham, em procissão, para o interior da igreja, onde se canta a “Proclamação da Páscoa”.

É durante a Vigília que ocorre a benção da água utilizada no batismo e, em alguns lugares, pode ocorrer à cerimônia do sacramento de iniciação cristã. Com alegria aflorada, a celebração marca o retorno dos tradicionais cânticos de “Aleluia” e “Glória”, privados desde o início da quaresma. Além do som dos sinos, calados na noite da quinta-feira santa.

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

Centenas de fiéis reservaram a manhã deste domingo, 09, para celebrar a data que marca a ressurreição de Jesus no calendário cristão. Nas paróquias da Diocese, o dia foi marcado por uma festiva programação.

A palavra Páscoa vem do hebreu e significa “passagem”, referência, para os judeus, da passagem pelo Mar Vermelho, para fora do Egito, onde o povo era escravo. Jesus também festejava a Páscoa, como é lembrado na Última Ceia. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias depois, no domingo logo depois da Páscoa judaica.

Durante o dia houve celebrações de missas e procissões com Jesus Eucarístico. Em alguns lugares a Semana Santa foi encerrada com um momento mariano. Na Catedral do Pilar, por exemplo, Frei Cesar Cardoso de Resende foi o condutor do sermão, exaltando a Virgem Maria pela gloriosa ressurreição de Cristo. Ao som do “Regina Caeli“ o bispo diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento, realizou o rito de retirada das espadas seguida de coroação da imagem.

Para encerrar as solenidades, em muitos lugares foram entoados o “Te Deum laudemus”, hino de ação de Graças.