Fé, tradições e reflexões marcam Semana Santa na Diocese

Em um país de grandes dimensões em que mais da metade da população é católica, não é de se estranhar que grandes manifestações religiosas tomem conta da Semana Santa. Em todas as regiões do Brasil as celebrações são marcadas pelas tradições populares e pela fé no Cristo Ressuscitado.

Em São João del-Rei não é diferente. Você pode não ter reparado mas tem coisas que acontecem aqui que não se encontram em lugar algum. São peculiaridades. Oficio de Trevas, tapetes de rua com areia da Serra, combate de Sinos, passinhos para visitações, costumes que passam de pais para filhos. Uma riqueza que estimula a fé.

É no Tríduo Pascal que se recorda e atualiza a Paixão, morte e ressurreição de Jesus. É o ponto alto do calendário litúrgico da Igreja Católica. Esse período litúrgico garante aos católicos a lembrança profunda dos fundamentos da fé cristã, que Jesus Cristo morreu e ressuscitou para livrar todos do pecado.

Em 1999, São João Paulo II, ainda papa, escreveu na carta aos sacerdotes que “a fé garante-nos que essa passagem de Cristo ao Pai, ou seja, a Sua Páscoa, não é um acontecimento que diga respeito só a Ele; também nós somos chamados a tomar parte nela: a Sua Páscoa é a nossa Páscoa”.

Iniciado na tarde da Quinta-Feira Santa, o Tríduo Pascal retoma toda a Paixão de Jesus Cristo e se destaca pelo ápice celebrativo da Semana Maior dos cristãos.

QUINTA-FEIRA SANTA

A quinta-feira, 14, foi marcada pela celebração da Ceia do Senhor. Nas paróquias, momentos de oração e criatividade fizeram presentes durante o rito. Com encenação, os sacerdotes repetiram a mesma ação de Jesus, lavando os pés de seus paroquianos.

Na Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, como de costume, a encenação ocorreu na parte externa do templo, na Praça Francisco Neves e contou com a presença da Orquestra Ribeiro Bastos, que entoou composições como o “Domine” e “tu mihi lavas pedes” (“Senhor, lavai-me meus pés”), todas em latim, de autoria do padre José Maria Xavier.

A cena, realizada há quase dois mil anos atrás, motiva o cristão ao serviço, a descruzar os braços e ir ao encontro do próximo.

Ainda na quinta-feira, celebrando a Instituição da Eucaristia, as cerimônias contaram também com a desnudação do altar, transladação e adoração ao Santíssimo Sacramento.

Em São João del-Rei, a madrugada contou ainda com a Procissão do Fogaréu (ou endoenças), resgatada em 2018. Com tochas nas mãos, os participantes recordam a prisão de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras. Essa celebração era realizada no período imperial, com incentivo de Dom Pedro II. Manter o rito enriquece, ainda mais, a programação da Semana Santa na cidade.

SEXTA-FEIRA SANTA

Em clima de silêncio a sexta-feira da Paixão, 15, amanheceu com jejum, oração e reflexão em diversas Paróquias da Diocese. Vigílias, Vias-sacras, teatros e visita às Igrejas foram algumas atrações religiosas deste importante dia de fé para o católico.

No início da tarde, na Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm, conduziu o sermão das Sete Palavras. O tradicional rito, que é acompanhado pela Orquestra Ribeiro Bastos, deu sequência à Ação Litúrgica, celebrada em todo o mundo às 15 horas.

A celebração, que não possui consagração, é dividida em diversos atos, dentre eles, o emocionante Canto da Paixão, a Oração Universal, Adoração e Beijo da Cruz.

Olhar atento, coração aberto. Esta era a cena, em muitas paróquias, na noite de sexta-feira. Titulada como “Descendimento da Cruz”, a cerimônia paralitúrgica é conduzida por um pregador que, com atualidade, reflete a tocante cena com ações corriqueiras da atualidade. Este ano, no centro de São João del-Rei, a cena foi narrada pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Geovane Luís da Silva.

A tocante cena foi assistida por milhares de fiéis na escadaria das Mercês, além dos telespectadores da Tv Aparecida, em rede nacional, que puderam acompanhar cada detalhe, na comodidade de suas casas.

A lua já seguia alta quando, aos poucos, placa, coroa de espinhos e cravos eram retirados da imagem de Cristo na cruz. Interpretando José de Arimatéia e Nicodemos, os padres Geraldo Magela e Álisson Sacramento retiravam os objetos no comando do pregador.

A cena teve seu término com o tocante canto da Verônica: “O Vos Omnes”, procissão e “sepultamento”.

Assim como na Paróquia do Pilar, outros lugares também aderiram a cerimônia paralitúrgica para uma reflexão maior sobre o mistério da morte de Cristo. Além das imagens, leigos se voluntariaram para recordar a figura de alguns personagens bíblicos, seja do Antigo ou do Novo Testamento.

SÁBADO SANTO

Já no último sábado, 16, a Igreja Católica realizou a Vigília Pascal. A celebração, em caráter solene, é considerada “a mãe de todas as vigílias” e recorda a noite santa em que Jesus Cristo passou da morte para a vida.

A celebração inicia-se fora do templo, onde o sacerdote abençoa o fogo e acende uma grande vela chamada de Círio Pascal, que representa Cristo, a luz do mundo. Os fiéis acendem suas velas no Círio e caminham, em procissão, para o interior da igreja, onde se canta a “Proclamação da Páscoa”.

É durante a Vigília que ocorre a benção da água utilizada no batismo e, em alguns lugares, pode ocorrer à cerimônia do sacramento de iniciação cristã.

Com alegria aflorada, a celebração marca o retorno dos tradicionais cânticos de “Aleluia” e “Glória”, privados desde o início da quaresma. Além do som dos sinos, calados na noite da quinta-feira santa.

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

Centenas de fiéis reservaram a manhã deste domingo, 17, para celebrar a data que marca a ressurreição de Jesus no calendário cristão. Nas paróquias da Diocese, o dia foi marcado por uma festiva programação.

Pela manhã, Dom José Eudes presidiu a Solene Missa Pontifical, celebrando a ressurreição de Cristo e concedendo a Benção Papal, com indulgência plenária.

Na programação de domingo, houve procissões com Jesus Eucarístico e homenagens à Nossa Senhora. Em São João del-Rei, padre Lucas Alerson de Souza, conduziu o sermão. Ao som do “Regina Caeli“, Dom José Eudes retirou a espada da imagem de Nossa Senhora das Dores e colocou em sua fronte uma coroa de prata. O gesto, serviu para um reconhecimento de amor diante da Virgem Maria.

Para encerrar as solenidades, em muitos lugares foram entoados o “Te Deum laudemus”, hino de ação de Graças.

Mas se engana quem acredita que as belezas de concentram apenas no centro histórico da cidade. Além da Catedral, as demais 41 paróquias da diocese também realizaram, em suas 25 cidades, os tradicionais ritos do Tríduo Pascal.

27 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).