Festa da Apresentação do Senhor 

Lc 2,22-40

Meus olhos viram a tua salvação

A festa deste domingo, tem origem no século IV, era chamada Purificação de Nossa Senhora, pois lembrava o cumprimento da lei. Quarenta dias após o nascimento Jesus foi levado ao Templo para se cumprir a lei a respeito dos primogênitos e a respeito da purificação da mãe. A reforma litúrgica de 1960, querendo dar o verdadeiro sentido ao acontecimento de origem, que é a oferta de Jesus ao Pai, deu o nome de Apresentação do Senhor.

O evangelho é retirado de Lc 2,22-40 e narra a apresentação de Jesus no Templo com o intuito de ser consagrado ao Senhor, mostrando a sua entrega total ao Senhor. Na perícope lemos que os pais de Jesus vão até Jerusalém para cumprir a lei Mosaica. O preceito da purificação era para a mãe. Segundo Lv 12,1-8 a mãe deveria cumprir rito de purificação, 40 dias após o parto, se a criança fosse menino, e 80 dias, se fosse uma menina.

Ao inserir Jesus na cena, o evangelista ressalta seu protagonismo. Para esse rito de purificação, exigia-se a oferta de um cordeiro para o sacrifício; quando a família era pobre, poderia oferecer um par de rolas ou dois pombinhos, como fizeram José e Maria (cf. v. 24). Essa oferta demonstra a condição de vida de Jesus e também a sua opção pela evangelização dos pobres.

A lei não prescreve a necessidade de levar a criança para ser apresentada no templo; para a consagração exigia-se o pagamento do seu resgate. Segundo a Lei de Moisés, todos os primogénitos, tanto dos homens como dos animais, pertenciam a Iahweh e deviam ser oferecidos a Iahwéh (cf. Ex13,1-2.11-16). O costume de oferecer os primogênitos aos deuses é um costume cananeu. No entanto, Israel transformou-o no que dizia respeito aos primogénitos dos homens. Estes não deviam ser oferecidos em sacrifício, mas resgatados por um animal, imolado ao Senhor (vv. 23-24).

O evangelho não descreve os ritos e o que vemos é o encontro da Sagrada Família com dois anciãos (Simeão e Ana) que reconhecem em Jesus o cumprimento das promessas de Deus ao seu povo. Estes dois personagens são símbolo do resto de Israel que permaneceu firme e fiel às promessas de Deus.

Simeão reconheceu em Jesus a salvação em pessoa, a glória de Israel e a luz que ilumina todos os povos da terra (cf. vv. 29-33). Reconhecendo Jesus como luz e salvação do mundo, Simeão prevê as consequências da sua missão: ser sinal de contradição e queda para muitos em Israel (cf. v. 34). Ana pertencia a uma tribo distante de Jerusalém, esta tribo era considerada pagã pelos chefes do templo. Ao mencioná-la o evangelista destaca o anúncio do evangelho aos povos pagãos e a acolhida deste por parte dos gentios.

José e Maria ficam maravilhados com o que tinham escutado e retornam para Nazaré, e assistem ao crescimento do menino e percebem a graça de Deus sobre ele (cf. v. 40). Do encontro de Jesus com Ana e Simeão no Templo brota a certeza de uma mudança radical na história: a luz de Deus, antes monopólio de um povo, agora é destinada a todas as nações da terra.

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).