As imagens sacras estão presentes em muitos altares, sejam em igrejas ou mesmo nos acervos pessoais religiosos. Elas podem ser entendidas como verdadeiras peças de arte e são elementos de fé que auxiliam muitos fiéis a se conectarem com o divino, além de servir de inspirações para artistas em todo o mundo. Por se tratar de um importante valor simbólico – e muitas vezes histórico – é necessário que se tenha cuidado e que os métodos de preservação sejam corriqueiros.
Com o passar do tempo, todo tipo de obra artística apresenta algum desgaste, seja pintura ou escultura. Isso ocorre devido à deterioração natural dos materiais ou eventuais acidentes, como quedas e infiltrações. Se a imagem exibe problemas em sua forma, defeitos na pintura (arranhões, tinta descascando ou desbotada), pode ser o momento de buscar a restauração.
Foi o que o pároco da Paróquia Santo Antônio em Tiradentes, padre Alisson Sacramento, fez. Após restaurar as imagens de Santo Antônio de Pádua e do Sagrado Coração de Jesus, foi a vez de levar a retratação de São Brás para o ateliê do artista plástico, Cristiano Felipe Ribeiro.
“Diante de uma imagem, nós conseguimos expressar melhor a nossa fé, os anseios que estão no coração, sendo assim, uma imagem bela e bem cuidada faz com que nós vivamos melhor aquele momentos de fé e devoção. A devoção à São Brás é algo muito forte, principalmente na comunidade, e a imagem estava necessitada do processo de restauração”, explica.
Esculpida em madeira, dourada e policromada, a imagem é de origem mineira, da segunda metade do século XVIII. O santo é representado vestido de bispo, tendo cruz peitoral, anel e báculo. Com a mão direita faz menção de abençoar. A obra de arte pode ser atribuída ao mesmo santeiro que esculpiu as imagens de Nossa Senhora das Mercês e do Pai Eterno. Esta imagem é venerada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A imagem passou por limpeza da policromia, remoção de respingos de cera, nivelamento, fixação da policromia, reintegração cromática e aplicação de verniz protetor. Na base foram feitas complementações e descupinização. “Sem dúvida, é uma forma de preservar a história e, claro, pensar no futuro”, destaca o sacerdote.

















