“Isso acontece porque eu rezo com fé”

Conheci a história da Beata Nhá Chica quando aqui cheguei nomeado pelo então Papa João Paulo II, como Bispo da Diocese de São João del-Rei. Sua história chegou até a minha pessoa pelas mãos do nosso saudoso Mons. Paiva, naquele tempo, Cura da Catedral de Nossa Senhora do Pilar, que encontrou nos registros dos livros de batismo da Catedral, o batistério de Nhá Chica. E também, através do nosso querido Mons. Juvenal, que na ocasião, dava assistência a comunidade do Distrito do Rio das Mortes, local onde ela nasceu, foi batizada e viveu até a sua partida para Baependi.

Lá, tive a oportunidade de presenciar de perto a devoção do povo à essa Beata, na época, veneranda, quando fui celebrar junto a comunidade. Celebrei na antiga igrejinha onde encontraram a pia batismal na qual ela fora batizada. Hoje, essa pia batismal se encontra dentro da Igreja de Santo Antônio no centro do Rio das Mortes.

E foi exatamente nesta pia batismal, que há 7 anos e 7 meses, após a celebração de um casamento, sentindo minhas forças se esvaírem, em decorrência dos sintomas de uma leucemia, que posteriormente seria diagnosticada, que segurei me apoiando para não cair e pedi com fé para que Nhá Chica intercedesse por mim, naquele momento e me coloquei a disposição para que ela fizesse aquilo o que fosse de melhor e entreguei o meu pedido na confiança de ser atendido.

Naquela altura, eu já era Bispo Emérito da Diocese de São João Del Rei e me dei conta de que a fé que eu carregava comigo na intercessão de Nhá Chica, havia nascido e crescido, através de tantas sementes plantadas e cultivadas durante o exercício do meu Episcopado enquanto servo dessa Diocese na condição de Bispo Titular.

As celebrações, a devoção das pessoas que aqui encontrei, os depoimentos das graças alcançadas, a abertura do processo de beatificação e em particular por um testemunho de fé no poder da intercessão da Beata que tive a alegria e a gratidão de presenciar de perto, na convivência com o nosso saudoso e querido Mons. Jair, que foi Pároco em Carrancas, contribuíram para a maturidade da minha fé naquele momento de aflição.

A fé nos faz alcançar grandes graças e nos ajuda a transformar obstáculos e desafios em conquistas mais felizes. Conhecendo mais sobre essa Beata, percebemos o quanto ela, na sua simplicidade, nos ensina a ter uma fé que, cultivada nas orações, na devoção à Eucaristia, envolve uma atitude de desejo, sentimento e entrega. E dessa forma, as coisas acontecem. “É porque rezo com fé”, dizia Nhá Chica.

Ela pedia, sentia a realização desse pedido e fazia a entrega à Nossa Senhora Imaculada da Conceição, a quem ela carinhosamente a chamava de “minha Sinhá”. “Valei-me Senhora da Conceição, agora é a ocasião”.

Quando cheguei a Diocese de Teófilo Otoni, no início do meu Episcopado, fui saudado com os votos de que a Imaculada os meus dias protegesse. E quando terminei minha missão como Bispo Titular da Diocese de São João Del Rei, a Imaculada continuou protegendo os meus dias até hoje, com a intercessão de Nhá Chica.

Que Nhá Chica possa interceder por todos vocês que recorrerem a ela nas suas aflições sob a proteção de Nossa Senhora Imaculada Conceição e de Nossa Senhora do Pilar, Padroeira da Diocese de São João Del Rei, onde nasceu a nossa Santa.