Jovens serão ordenados diáconos neste sábado, 07, após a realização do Tríduo Vocacional

Faltam poucos dias para a Ordenação Diaconal dos seminaristas Gabriel Antônio da Silva, Jeferson Djalma Coimbra, Jordano Paulo Magalhães Fuzatto e Luís Alberto dos Santos. A cerimônia vai acontecer neste sábado, dia 07 de fevereiro, no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Será um passo ainda maior na caminha vocacional dos quatro jovens.

Os diáconos estão encarregados de executar o “serviço do ministério de Deus”, deixando de ser um leigo e passando a pertencer ao grupo do clero. A palavra diácono surgiu a partir do grego diakonos, que significa “atendente” ou “servente”. De acordo com a doutrina, o diácono católico é o “servo de Deus”, espalhando a Sua palavra e ajudando a construir o Seu reino junto aos fiéis na terra, de acordo com as necessidades da igreja.

“O Diácono é aquele que, consagrado ao serviço da Igreja pelo primeiro grau do Sacramento da Ordem, dedica-se à promoção do bem do povo de Deus por meio da caridade, da proximidade com os sofredores e os mais necessitados, do anúncio da Palavra e do serviço à liturgia. Seu ministério expressa, de modo particular, a dimensão servidora da Igreja, que, à semelhança de Cristo Servo, se inclina para lavar os pés da humanidade. Para nós, que posteriormente receberemos o segundo grau da Ordem, este tempo do diaconato aponta para o exercício de uma diaconia que deverá nos acompanhar por toda a vida, como estilo permanente de ser e de agir no ministério ordenado. Por isso, a importância de vivê-lo bem, com profundidade, humildade e dedicação, permitindo que este tempo nos configure cada vez mais a Cristo Servo, fortalecendo em nós o amor à Igreja, a sensibilidade pastoral e a disponibilidade generosa ao serviço do Reino de Deus”, explica o Seminarista Jeferson Coimbra.

O diácono é, antes de tudo, sinal de serviço e Amor de Deus. Ele lembra constantemente à Igreja que sua missão principal é servir, especialmente os mais pobres, os sofredores e os esquecidos. “Na liturgia, na Palavra e na caridade, o diácono é chamado a ser ponte: entre o altar e a vida, entre a fé e a prática, entre a Igreja e as realidades do povo. Gosto de dizer que ele não está acima, mas no meio, caminhando junto, ajudando a construir uma Igreja mais próxima”, destaca Gabriel da Silva.

Segundo o bispo diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento, é “uma alegria muito grande poder ordenar diácono esses dois jovens que vem realizando um belo trabalho pastoral em nossas comunidades. Peço oração para que o Senhor continue enviando operários para a nossa Messe, para o serviço de nossa Igreja”.

E a expectativa já é grande. “O sentimento que nasce em meu coração, às vésperas de minha ordenação diaconal, é o de profunda ação de graças a Deus pelo chamado recebido. Nesta última semana que antecede a ordenação, tenho procurado fazer memória do chamado vocacional acolhido e do caminho de discernimento realizado até o presente momento. Além disso, a partir das inspirações suscitadas em nosso retiro espiritual de preparação para a ordenação, tenho buscado rezar e tomar consciência da missão e das responsabilidades próprias daqueles que abraçam o ministério diaconal. Assim, este é um tempo marcado pela ação de graças, pela memória do caminho percorrido e pela tomada de consciência do ministério que será assumido a partir do próximo sábado”, pontua Luís.

 

O Despertar Vocacional

Deus chama em todos os tempos, alguns na infância, outros na adolescência ou mesmo na vida adulta. São histórias distintas com uma mesma essência. Jeferson Coimbra percebeu após a sua Crisma, em 2013. Já Luís Alberto percebeu o apreço e interesse pelas coisas do céu e da Igreja na infância, quando era levado à Santa Missa pela sua mãe. Gostava de acompanhar com atenção os gestos e as palavras do sacerdote durante a celebração. Jordano Fuzzato também. Na infância, tinha um grande fascínio pela missa, pelas procissões, pelo altar, mas o desejo mesmo amadureceu quando percebeu que não era só gosto, era um chamado que pedia resposta.

Respostas estas encontradas por Gabriel da Silva ainda criança, acompanhando as transmissões de missas pela televisão junto de seu avô materno, João Olímpio, e sua mãe, Ana Olímpio. O que começou como encantamento, inclusive com brincadeira de celebrar a missa, virou decisão quando se foi entendido que Deus os chamava, não para “um lugar”, mas para uma forma de amar e servir.

“O aprofundamento na oração, na vivência dos sacramentos, na intimidade com a Palavra de Deus e no serviço à comunidade de fé, impulsionado pelo testemunho e pela presença de tantas pessoas especiais, foram as mediações pelas quais Deus fez despertar a vocação a uma consagração maior da vida por meio do ministério ordenado. A experiência do chamado à vocação sacerdotal foi vivida no cotidiano da vida, no meio do trabalho, dos estudos e das convivências normais, sem nada de surpreendente; contudo, à luz da fé e para quem o vive, todo esse processo é profundamente extraordinário. Nesse sentido, sempre me marcou muito a frase de São João Paulo II, que afirmou em um de seus escritos: ‘Todo chamado de Deus é uma história de amor única e irrepetível’”, destaca.

 

Uma caminhada de fé na Igreja

Segundo os jovens, suas atuações nos trabalhos pastorais, junto das respectivas comunidade, contribuiu para esta caminhada. Além do trabalho pastoral como coroinha, Luís também atuou como catequista. “Essa experiência foi profundamente enriquecedora, pois, por meio da preparação dos encontros e da transmissão dos valores da fé cristã às crianças, pude aprofundar ainda mais o meu discernimento vocacional”, destaca.

Para Gabriel, auxiliar o altar como coroinha foi uma grande superação. “No início, eu era muito tímido, receoso, tinha até certo medo de estar ali diante da assembleia, com tantas pessoas olhando. Mas, com o tempo, fui aprendendo a servir com mais segurança. Além disso, desde criança, participei ativamente da vida da igreja também nos serviços mais simples. Muitas vezes, ia com minha mãe ajudar na limpeza da nossa Matriz. Ali fui aprendendo, na prática, que servir a Deus também passa pelas pequenas coisas feitas com amor”.

Por influencia da família, o jovem ingressou cedo nos trabalhos do Apostolado da Oração. “Desde criança, eu já participava da devoção das Primeiras sextas e encontros, acompanhando minha mãe, mesmo antes de fazer parte oficialmente. Na adolescência, tomando maior consciência, ingressei de forma mais comprometida no movimento e vivi um momento muito marcante com a minha consagração ao Sagrado Coração de Jesus, quando recebi a fita. Quando minha mãe se tornou presidente do Apostolado da Oração em Itutinga, passei a exercer o serviço de secretário, ajudando na escrita da Ata e organização e nas atividades. Então, esse convívio com a comunidade foi essencial para o meu amadurecimento. Aprendi observando, escutando, errando, corrigindo e caminhando junto com os outros. A comunidade foi uma verdadeira escola vocacional”.

Para Jordano, o trabalho pastoral é a grande escola de ser Igreja. “A pastoral foi um lugar onde Deus me educou: no rosto das pessoas, nas necessidades concretas, eu fui entendendo que minha vida podia ser entrega. Servir na comunidade não só ajudou, foi decisivo. Ali eu percebi que a vocação não é uma ideia bonita; é um amor que vira compromisso. A pastoral me fez amadurecer: aprendi a alegria de servir e também o peso bom da responsabilidade, que me levou a perguntar seriamente pelo chamado”, conclui.

“A vocação nasce, cresce e é sustentada na vinculação com a comunidade de fé. Foi justamente a interação junto aos trabalhos pastorais que fez descortinar, em minha vida, como é realizadora a experiência do serviço a Deus na proximidade com os irmãos, elemento fundamental no processo de despertar vocacional. Ali, pude ver florescer os dons que o Senhor me concedeu e colocá-los a serviço, gerando um envolvimento tão profundo a ponto de perceber que Deus poderia estar me chamando a uma entrega maior da vida, vislumbrada no sacerdócio. Essa intuição, inicialmente ainda no campo da possibilidade, foi ganhando força dentro de mim, até chegar o momento em que procurei o Seminário de nossa Diocese, onde fui acolhido e acompanhado no processo de discernimento. No decorrer dos anos no Seminário, assistido pelas diversas condições oferecidas pela Igreja no cuidado para com as vocações, pude experimentar a fidelidade de Deus e adquirir a compreensão necessária para perceber que esse era, de fato, o caminho pelo qual o Senhor quis que eu dedicasse a minha vida, na alegria e no amor”, pontua Jeferson.

 

Inspiração de fé

O chamado à vida sacerdotal é iluminado pelo testemunho, também, de outros vocacionados. “Em minha caminhada vocacional, a inspiração para dizer sim ao chamado do Senhor veio de diversas pessoas, em diferentes etapas do meu discernimento. Destaco, de modo especial, o testemunho dos padres que passaram pela minha paróquia de origem, de minha família, dos sacerdotes que me acompanharam durante o período de estágio pastoral e também dos padres formadores. Recordo, ainda, o testemunho de muitos leigos e leigas que marcaram minha história e que, em suas vidas e vocações, são um belo exemplo de que vale a pena responder ao chamado do Senhor”, recorda Luís.

Além dos “influenciadores” da terra, os amigos do céu são grandes exemplos para se seguir, como foi o caso do Jordano. “Fui inspirado por referências de santidade que, cada uma a seu modo, me ajudaram a compreender o que é seguir Cristo com inteireza. São João Bosco me toca especialmente pela dedicação incansável aos jovens: um coração pastoral que educa, acompanha, acredita e não desiste — e que sabe unir alegria, firmeza e ternura. Já Santo Inácio de Loyola me inspira pela clareza no discernimento: a seriedade espiritual de quem aprende a ler os movimentos do coração, a buscar a vontade de Deus com liberdade interior e a não confundir impulsos passageiros com um chamado verdadeiro. Além disso, o testemunho de tantos padres ao longo da minha caminhada foi decisivo: não apenas por palavras bonitas, mas por um estilo de vida. Ver sacerdotes que celebram com fé, que escutam com paciência, que se gastam pelo povo, que mantêm a fidelidade nos dias comuns e que atravessam dificuldades sem perder a caridade foi, para mim, uma catequese viva sobre o ministério. E, claro, eu seria injusto se não reconhecesse também as mediações mais próximas: a família e a comunidade, com sua fé simples e perseverante, foram o terreno onde a vocação pôde germinar. No fim, eu creio nisso: Deus chama por mediações — pelos santos, pelo testemunho dos pastores e, sobretudo, pela vida das pessoas que vivem perto de nós que, sem alarde, vai nos ensinando a permanecer”.

“Penso que a primeira atitude seja considerar seriamente que a vida sacerdotal é um caminho possível, ao qual Deus pode estar chamando qualquer jovem a ingressar. Quem percebe sinais desse chamado não deve ter medo de respondê-lo afirmativamente nem de buscar discerni-lo, pois, junto a esse convite, pode estar escondido um caminho de profunda realização pessoal orientada para o outro, que se transformará em fonte de vida e de salvação para muitos, no coração da Igreja e no mundo. Como qualquer opção na vida, também esse caminho terá seus desafios; contudo, quando nos lançamos nele com a confiança de estar buscando a vontade de Deus, experimentamos a força e a ação do Espírito Santo, que vai nos concedendo a compreensão de que estamos no caminho certo e de que temos muito a oferecer ao Reino de Deus. Deus pode estar contando com você, jovem, e com os seus dons, para inseri-lo em seu desígnio de salvação, que Ele deseja que alcance o coração de toda a humanidade”, conclui Jeferson.

 

Vale a pena trilhar esse caminho?

Para os jovens que sentem uma inquietação e o desejo de seguir o sacerdócio, Jordano é claro: não despreze esse desejo. “Leve a sério, reze, procure acompanhamento, e não caminhe sozinho. Deus não brinca com o nosso coração. O discernimento não é só sentimento: é vida concreta. Entre na rotina de oração, sirva na comunidade, tenha direção espiritual, e deixe Deus confirmar no tempo. Não é um caminho ‘sem cruz’, mas é um caminho cheio de sentido. Quando é Deus quem chama, a alegria é mais profunda que o medo. No discernimento, muitas vezes se enfatiza — com razão — as renúncias, os limites, os “nãos” que a vida ministerial nos impõe. Mas eu gostaria de ampliar a perspectiva: o ponto decisivo não é o que eu deixo, mas Quem eu encontrei; não é o que eu renuncio, mas o grande ‘sim’ que eu abraço. Jesus mesmo nos dá essa chave na parábola do tesouro escondido: um homem encontra um tesouro no campo e, tomado de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo. Na parábola (Mt 13,44), o texto enfatiza que ele faz isso ‘cheio de alegria’. Essa palavra muda tudo: não é renúncia amarga; é decisão iluminada por uma escolha maior”.

E se precisa de palavras de incentivo, Gabriel reforça: “Não tenham medo de escutar a voz de Deus”. “A vocação nasce na oração, no serviço, na vida sacramental e no contato com a comunidade. Por isso, é importante cultivar uma vida espiritual, participar da Igreja e buscar acompanhamento. Também diria que não tenham pressa, pois, a vocação é um caminho de discernimento, de amadurecimento humano e espiritual e tem seu próprio ritmo. É preciso se conhecer, crescer, enfrentar desafios, aprender com os erros e confiar no tempo de Deus. O sacerdócio, como sabemos, não é um caminho fácil. Exige renúncias, entrega e perseverança, mas é um caminho profundamente belo, porque é vivido por amor. Quando se descobre que a própria vida pode ser dom para os outros, tudo ganha sentido. Vale a pena, sim”!

 

Tríduo Preparatório

Em preparação para a ordenação, toda a comunidade é convidada a se reunir a partir desta quarta-feira, 04, para o “Tríduo Vocacional'”, cada um nas suas respectivas paróquias. “Às vésperas da ordenação, o sentimento que levo no coração é bem expresso pelas palavras do salmista: ‘Senhor, porção da minha herança e do meu cálice, vós garantis o meu destino’ (Sl 15,5). É nessa confiança em Deus que procuro viver este momento. É um misto de gratidão, alegria e responsabilidade. Olhando para trás, vejo quantas pessoas, quantas histórias e quantas experiências fizeram parte desse caminho. Ao mesmo tempo, cresce no coração o senso de responsabilidade: não é um ‘título’ que recebo, mas uma missão que assumo com alegria. Minha expectativa é continuar servindo com humildade e disponibilidade, buscando ser, todos os dias, um sinal do amor de Cristo no meio do povo de Deus”, conclui Gabriel.