“Momento marcante”, define Dom José Eudes sobre o encontro com Papa Francisco

Na quinta-feira, 20, a Visita Ad Limina Apostolorum iniciou com Missa/Laudes com os estudantes do Colégio Pio Brasileiro. Logo depois ocorreu um dos momentos mais esperados: os (Arce)bispos se encontraram com o Papa Francisco, na Biblioteca do Vaticano.

O encontro foi esperado por doze anos e o episcopado dos Regionais Leste 2 (Minas Gerais) e Leste 3 (Espírito Santo), expressaram alegria e a emoção de estar junto ao Sucessor do Apóstolo Pedro, a quem manifestaram a mais plena comunhão e fidelidade. Durante a conversa, também foram apresentadas questões pastorais das (Arqui)Dioceses e os bispos puderam ouvir conselhos e orientações do Pontífice.

O encontro com o Papa

Momento marcante: assim Dom José Eudes Campos Nascimento, bispo da diocese de São João del-Rei, define o encontro dos bispos de Minas Gerais e Espírito Santo com o Papa Francisco. Os regionais Leste 2 e 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estão em visita ad Limina no Vaticano e nesta quinta-feira, 20, puderam falar e ouvir o Santo Padre.

“Toca realmente no meu coração, na minha vida, todo seu exemplo de verdadeiro pastor. Eu creio que para nós, bispos, seja uma grande lição para o nosso dia a dia, o grande esforço de vivermos o exemplo, o  testemunho que o Papa Francisco deixa para todos nós. Digo não só a nós bispos, mas a todos os leigos, leigas e sacerdotes. O Papa muito nos ensina”.

modo especial, o bispo de São João del-Rei comemorou ao lado de Francisco seus 10 anos de ordenação episcopal: “Um grande incentivo para a missão”. Sinodalidade e documentos papais foram citados na conversa. O Pontífice reafirmou a importância das quatro proximidades – com Deus, entre os pastores, com os sacerdotes e com os fiéis –, porque é ali que acontece a evangelização.

 

III Guerra Mundial em pedaços

Houve espaço também para outros desafios para além da esfera eclesial. Segundo o bispo da diocese de Janaúba, dom Roberto José da Silva, o Papa chamou à atenção para a terceira Guerra Mundial em pedaços – o que exige dos discípulos de Cristo um esforço para trabalhar pela paz.

“Retornando para o Brasil, trago muitas inquietações no coração a partir, sobretudo, deste encontro com o Papa. Mas também muitas esperanças, muitos projetos para conversar, discutir com as pessoas da minha diocese para levarmos a missão de Jesus Cristo adiante com a proclamação da Palavra, do Evangelho, que é sempre Evangelho de alegria, de esperança e de paz, sobretudo nesta hora de polarizações e de tanta intolerância que nós vivemos em nosso mundo. O Papa chamou à atenção para a terceira Guerra Mundial que acontece em pedaços, porque está acontecendo em diversas partes do mundo. Então temos que ser trabalhadores, artesãos da paz.”

Entre os presentes, os bispos mineiros ofereceram ao Pontífice uma férula, obra do jovem artista Júlio Quaresma. A aste principal foi feita de cedro, já a Cruz foi feita em bronze e metal dourado. “Um detalhe importante é que nesta Cruz resplandece a vitória de Cristo, um raionado atrás onde figuram pessoas de mãos dadas, formando uma rosácea atrás do Crucificado, um resplendor. Isso nos remete à Páscoa de Cristo por primeiro e a nossa união ao mistério pascal de Cristo”, explicou Dom Geovane Luís da Silva, auxiliar de Belo Horizonte. A rosácea é uma referência à encíclica Fratelli tutti e à sinodalidade, tema do Sínodo de 2023 e 2024.

Acompanha o momento da entrega do presente:

outras atividades

No decorrer da programação do dia, os bispos visitaram a Pontifícia Comissão para a América Latina. Com apresentação e relatoria de Dom Marco Aurélio Gubiotti, bispo da Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano (MG), um dos assuntos tratados na reunião foi com relação às terras mineiras e capixabas, que também se encontram em todo o continente latino-americano e caribenho. Como as mesmas enfrentam inúmeros desafios sociais: fome, desemprego, ausência de políticas públicas governamentais na área da saúde, educação, cultura e um processo constante de degradação do meio ambiente, em especial do bioma amazônico.

Também foram destacados os dois desastres que marcaram profundamente a vida das comunidades: o rompimento das barragens de rejeito em Mariana e Brumadinho, que ceifaram inúmeras vidas humanas e causaram grandes impactos ambientais.

Ao final da noite, a comitiva foi recebida na Embaixada do Brasil junto à Santa Sé.

Fonte: CNBB | Leste 2 / vaticannews.va