Multidão se reúne no Tijuco para festejar São José, patrono dos trabalhadores

Nem a previsão de forte chuva impediu milhares de devotos de se fazerem presentes na grande festa em honra a São José Operário, no bairro do Tijuco, em São João del-Rei. Foram muitas as manifestações de fé e devoção ao santo protetor das famílias e dos trabalhadores.

A programação festiva teve início logo cedo e contou com diversos horários de missas, inclusive para crianças e jovens. Neste ano a festa teve como tema “São José, homem do coração ardente e dos pés a caminho” e marcou a reabertura da igreja matriz após meses de obras e reformas. Uma beleza incomparável que se realçava com os olhares devocionais. Foram muitos que passaram por ali para fazer preces, render graças e multiplicar as orações.

Segundo o pároco, Padre Vinicius Campos, São José é um santo popular que se torna modelo para muitas pessoas o que justificaria o crescente número de devotos do pai adotivo de Jesus. “São José é aquele que trabalha com humildade permitindo a ação divina em sua vida. Oferece a Paróquia, aos cristãos e a todos os trabalhadores a importância de um trabalho honesto, que ajuda na realização da vontade de Deus e na construção da sociedade e da família cristã”.

Padroeiro dos trabalhadores e desempregados

No Dia Internacional do Trabalho, milhares de brasileiros recorreram à São José Operário para fazer pedidos ou agradecimentos. Através da intercessão do santo, muitos buscam conquistar uma vaga no mercado de trabalho. O título de padroeiro dos trabalhadores veio por meio do Papa Pio XII, em 1955, desejoso de oferecer aos trabalhadores um padroeiro que fosse modelo. “Para que todos entendam este significado (…) queremos anunciar a Nossa determinação de instituir – como de fato instituímos – a festa litúrgica de São José operário, marcando-a no dia 1º de maio. Trabalhadores e trabalhadoras, agrada-vos o nosso dom? Temos certeza que sim, porque o humilde artesão de Nazaré não só personifica junto a Deus e a Santa Igreja a dignidade do trabalhador, mas é também sempre providente guardião vosso e de vossas famílias” (Festa de S. José Operário – 1º de maio de 1955).

“A escolha de São José como padroeiro dos trabalhadores mostra que a Igreja está do lado dos mais fracos e injustiçados. Junto com a celebração do justo José, a Igreja celebra a vida dos milhões de trabalhadores de todo o mundo e levanta a voz para defendê-los nas horas de necessidade. Numa sociedade materialista, que divide as pessoas pelo tipo de trabalho e que valoriza o ser humano pelo que ele recebe, a Igreja quer lembrar, no dia 1º de maio, o valor humano e cristão do trabalhador”, pontuou o bispo da Diocese de São João del-Rei, Dom José Eudes Campos do Nascimento, durante a homilia da Missa Solene.

Devoto do santo, quem ele carrega homenagens até nos documentos de identidade, Dom José Eudes vê a figura do pai adotivo de Jesus como um modelo de cristão e cidadão para o bem comum. “São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho. Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente questão social e o desemprego atinge por vezes níveis impressionantes, é necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo”.

Na homilia, o bispo ainda pontuou as mazelas trabalhistas dos dias de hoje e aproveitou para pedir a proteção do santo. “A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova ‘normalidade’, em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e os deixa à margem da sociedade, fragilizados em sua dignidade, excluídos de seu valor. A pessoa que trabalha, colabora com o próprio Deus, torna-se criadora do mundo que a rodeia. Peçamos a São José Operário, humilde carpinteiro, que encontremos vias onde nos possamos comprometer até que se possa dizer: nenhum jovem sem trabalho, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho”.

Manifestações de fé

Na vasta programação, os fiéis puderam levar as ruas do bairro, em procissão, a imagem do humilde carpinteiro. No trajeto, diversas formas de manifestações de fé e devoção. “Os fiéis abraçaram a causa e celebraram a fé com muito amor e dedicação. Durante todo o grande dia as celebrações foram muito bem participativas. Grande número de fiéis na procissão, momento de fé e emoção. Que através da intercessão de São José possamos colher muitas graças e bênçãos”, expressa feliz o pároco e organizador da festa, Padre Vinicius Campos.

Novamente a casa da Dona Rosário se encontrava enfeitada, próxima a praça da Estalagem. A tradição vem de família e já vem sendo realizada há 45 anos. Com músicas, bandeirinhas e flores, a devota renova os ensinamentos deixados pela mãe e propaga a devoção em meio a vizinhança. “Esse costume começou com minha mãe e pretendo, junto com minha família, manter essa tradição. Sei que ele (São José) está sempre pertinho de nós”. Além da decoração, a cabeleireira confecciona bandeirinhas e distribui para todos os participantes. “É lindo ver o colorido para São José”.

Integrante da Pastoral da Comunicação, a paroquiana Aline Veriato participou ativamente da festa. Um motivo de grande alegria e orgulho, segundo ela. “Como sinto orgulho de dizer, nasci no Tijuco, fui batizada, fiz e recebi minha primeira comunhão, me crismei na Igreja de São José Operário. Hoje sinto orgulho também de continuar fazendo parte da Paróquia do Tijuco juntamente com minha família, ajudando no que posso, com minhas fraquezas e limitações mais dando sempre meu melhor. Não sou melhor do ninguém (nem tenho intenção de ser) mais posso falar em voz alta e com o peito cheio de alegria que me doei nessa festa, como faço desde que me entendo por gente. Foi cansativo, mas, magnífico e edificante. Gratidão por ser católica, gratidão por ter a Sagrada Família como espelho e exemplo”.

Fotos: Aline Veriato | Lucas Silveira | Willian Carvalho | Pascom Tijuco