Noções básicas da fé que professamos

Prezados (os) amigos (as), antes de prosseguir a leitura, tome em mãos a sua Bíblia e faça a leitura do Evangelho segundo João 12, 20-22.

Ver Jesus. O pedido manifestado pela voz de alguns gregos, conforme o trecho evangélico acima, expressa aquele desejo mais profundo e central presente em cada coração humano: o de ver o Cristo. E esse “ver” não se limita à dimensão ocular, mas expressa o anseio do coração em encontrar Aquele que é o “caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6), o Filho de Deus que dá sentido à nossa existência e que pode transformá-la em Seu amor [1]. Entretanto, para ver e conhecer Jesus Cristo é necessário trilhar o caminho da fé, dom e tarefa.

Enquanto dom, a fé é um fruto da graça de Deus, recebido no dia do Batismo, conforme o próprio Jesus disse a Pedro após a sua confissão de fé: “Não foi carne e sangue quem te revelaram isso, mas meu Pai que está no céu” (Mt 16,17). Enquanto tarefa, a fé constitui-se por uma busca contínua de conhecer melhor Jesus Cristo para amá-lo e servi-lo. Esse caminho, porém, não se faz de forma individual, mas sempre com a comunidade Igreja que, como mãe e mestra, anuncia Jesus Cristo e proporciona o encontro pessoal com Ele na comunidade de fé pela celebração dos Sacramentos, pela pregação da Palavra de Deus e pela caridade fraterna. Portanto, “o caminho da fé, ao mesmo tempo que é um processo individual, pois depende de como cada pessoa corresponde livremente à graça, é também um ato comunitário, eclesial”  2.

Ora, tendo em vista essa dinâmica da tarefa como procura de aprofundamento referente ao caminho da fé, é importante descrever algumas noções básicas da fé que professamos. Estes pontos buscam expressar, ainda que de modo simplificado, a identidade e alguns fundamentos da fé cristã a qual todos somos chamados a crer e a anunciar. Vejamos.

 

  1. Tudo parte do encontro com o Cristo

Conforme expressa Bento XVI: “No início do ser cristão não há uma decisão ética, ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.3 Cremos na pessoa de Jesus Cristo, o Ressuscitado que passou pela Cruz, e nosso anúncio deve partir sempre de uma experiência pessoal com Ele.

 

  1. Professamos a fé como Igreja

O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Quem diz «Creio» afirma: «dou a minha adesão àquilo em que nós cremos»”.4  Professamos a fé que recebemos da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. A fé professada pelos cristãos está resumida, em sua essência, na oração do Credo (Símbolo dos Apóstolos e Símbolo Niceno-Constantinopolitano).

 

  1. As fontes da nossa fé: Escritura, Tradição e Magistério

A fé católica tem sua origem na Revelação Divina que se expressa pela Sagrada Escritura (escrita) e pela Sagrada Tradição (oral) e é esclarecida pelo Magistério da Igreja.

Por Sagrada Escritura entendemos os 46 livros do Antigo Testamento e os 27 do Novo Testamento, compreendidos como sagrados e inspirados. Por Tradição entendemos o processo e o conteúdo da transmissão da verdade revelada, proveniente do anúncio de Jesus Cristo e dos apóstolos e continuada, posteriormente, na Igreja, por obra do Espírito Santo. Por Magistério entendemos o ensinamento do colégio dos Bispos em comunhão com o Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, que em nome de Jesus Cristo têm a autoridade de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita (Sagradas Escrituras) ou transmitida (Tradição).

 

  1. Cremos na Santíssima Trindade

Cremos em Deus Pai, Filho e Espírito Santo a quem nos referimos como a Santíssima Trindade, o mesmo Deus revelado em três pessoas distintas. Ao Pai nos referimos como o Criador, pois por meio de seu amor criou tudo o que existe. Ao Filho, Jesus Cristo, nos referimos como o Redentor, pois por sua vida, morte e ressurreição fomos resgatados e redimidos do pecado e de todo o mal. Ao Espírito Santo nos referimos como o Santificador, pois ele constrói, anima e santifica a Igreja.

 

  1. Cremos nos Sacramentos

A salvação de Deus, realizada uma vez por todas em Jesus Cristo, se torna presente pelos sacramentos, sinais eficazes da graça, instituídos por Jesus Cristo e confiados à Igreja. A graça que vem de Deus Pai, em Cristo Jesus, pelo Espírito Santo, por meio dos sacramentos, nos santifica, tudo transforma e nos traz muitas bênçãos. É presença da vida de Deus em nós, fortalecendo nossa fraqueza humana. São de encontro com o Senhor. São eles:

Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia.

Sacramentos da cura: Reconciliação e Unção dos Enfermos.

Sacramento do serviço: Ordem e Matrimônio.

 

  1. Cremos nos Mandamentos

O católico professa sua fé não apenas por palavras, mas também por meio do testemunho, da conduta cotidiana. Essas são iluminadas pelos ensinamentos morais de Cristo e da Igreja, que encontram como maior expressão os Mandamentos. O comportamento moral católico é, acima de tudo, consequência do seguimento de Jesus Cristo, conforme o mandamento novo: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

 

  1. Cremos na vivência da Oração

Jesus, em seu ministério, vivenciava a oração, sobretudo nos momentos mais importantes de sua missão redentora (cf. Mc 1, 35; Lc 6, 12; Mt 26, 36). A exemplo de Jesus, cremos que a oração faz parte da vida diária do cristão. Na intimidade com o Senhor, garantimos a força de nossas ações e a perseverança para prosseguir o caminho com alegria e entusiasmo.

Penso ter exposto, ainda que de forma suscita, algumas breves noções da fé que professamos. Estão dispostas, em sua maioria, conforme a divisão das quatro partes que constituem o Catecismo da Igreja Católica, a saber: a Profissão de Fé (Credo), os Sacramentos, a Vida da Fé (Mandamentos) e a Oração. Vale a pena conhecer e estudar! Sabemos, porém, que nos mistérios de Deus e na riqueza da fé cristã, dom e tarefa, sempre temos que avançar para as águas mais profundas (cf. Lc 5, 4) para servir o Senhor com alegria (cf. Sl 99) e dar a razão da nossa fé e da nossa esperança a todo aquele que pedir (cf. 1Pd 3, 15). Trilhe esse caminho como impulso à vivência cristã e ao serviço missionário em sua Comunidade Paroquial.

 

Referências

[1] Santo Agostinho assim expressa em seu livro Confissões: “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti”. Ou, nos dizeres do salmista: “A Minh ‘alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água” (Sl 62/63).

2 CNBB. Sou Católico, vivo a minha fé. Brasília: Edições CNBB, 2007, p. 07.

3 Papa Bento XVI, Deus caritas est, n. 01.

4  Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 185.