Piedade realiza Festa da Congada e Moçambique neste final de semana

É através do som dos bastões e das gungas que Piedade do Rio Grande encerra o mês de maio. Realizada há 98 anos, a Festa da Congada e Moçambique faz parte do calendário piedense e é famosa por realizar um grande encontro de tradições, a fim de sustentar a fé dos povos africanos e seus antepassados. Neste ano as celebrações vão ter início na partir da próxima sexta-feira, 29. Sob a benção dos padroeiros São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês, o grupo realiza sua manifestação de fé, repleta de cores e sons, totalmente fundada na memória da alma escrava e seus descendentes.

A celebração vem reforçar a cultura e garra do povo piedense que realiza a festa mesmo em tempos de dificuldade. “Desde o primeiro momento que cheguei, encontrei com um grupo moçambiqueiro e percebi essa bela tradição resistente na cidade. Um tradição que envolve todos, dos mais experientes, adultos, jovens até as crianças que já se envolvem com a dança e o clima de oração e homenagem a nossa mãe, Senhora do Rosário. Todos, fazendo com o que esse costume não se acabe. Essa fé bonita não pode ser deixada de lado. Ela tem que permanecer com a gente. Essa vivencia da espiritualidade e, também, o momento social do encontro. Manifestações de piedade e religiosidade que tocam fundo no nosso coração”, destaca o bispo diocesano, Dom José Eudes Campos do Nascimento.

Segundo o Romário Tomé Sobrinho, a Congada e Moçambique de Piedade do Rio Grande é muito mais que um grupo, e sim uma família, que busca resguardar a cultura negra, resistir e sobre tudo lutar pelo direito de igualdade. “Nós só conseguimos fazer isso através da nossa fé que é demonstrada e vivida nos passos, nas danças, e nos cantos. O nosso corpo reza, se comunicando com o sagrado, isso fortalece, nos torna mais irmãos, nos anima a lutar diariamente por um mundo melhor. Creio que vivenciar Congada e Moçambique, especialmente pro povo de Piedade, é recarregar as energias é se reconectar. Nós estamos celebrando uma festa em sinal de resistência, marcado pela coragem e pela força que atravessa as barreiras que nos assusta. Celebramos a memoria de um povo que retiram forças, também, na fé cristã”, explica o integrante e zelador do grupo.

A programação tem o seu ápice do domingo, dia 31. veja: