Sagrada Família

Durante a oitava de natal temos a festa da Sagrada Família. Esta festa recorda que o mistério da encarnação é um mistério de partilha. O Filho de Deus veio partilhar em tudo, exceto no pecado, da nossa condição humana; veio para fazer parte da família humana, vivendo na obediência e no trabalho dentro de uma família concreta. Nessa família, emergem os valores e as virtudes que devem caracterizar qualquer família humana.

O evangelho é retirado de Mt 2,13-15.19-23 e relata o episódio da fuga da Sagrada Família para o Egito. O evangelista Mateus quer apresentar a comunidade cristã de origem Judaica Jesus como um novo Moisés. Podemos dividir o texto em duas partes a primeira é 2,13-15 e a segunda é tirada de 2,19-23

A temática da perseguição domina a perícope. Herodes quer a morte do menino. É preciso fugir e buscar refúgio em uma outra província romana. A mesma coisa aconteceu a Moises diante das ameaças do faraó (Ex 2,15). O paralelo de Jesus com o grande libertador das tribos israelitas e facilmente reconhecível. Mas, ao citar um texto de Oseias (11,1), Mateus introduz um outro elemento: Do Egito chamei meu filho. O profeta Oséias se referia ao povo de Israel que Deus havia sido tirado da escravidão egípcia. O evangelista vê na vida de Cristo o cumprimento de uma libertação parecida, da qual a libertação do êxodo era um preanuncio profético. Cristo repercorre o caminho do povo de Deus do AT. Antes, com ele começa um novo povo do Senhor, a Igreja, tanto um quanto outro caracterizados pelo mesmo destino de perseguição humana e salvação divina.

Jesus é o Novo Moisés perseguido e salvo, novo povo de Deus oprimido e libertado. Mas não e tudo. Mateus, utilizando do texto de Oseias, evidencia também que Jesus é filho de Deus. As palavras do profeta: “Do Egito chamei meu filho” são atribuídasdiretamente a Deus. De fato, o evangelista introduziu assim: para que se realizasse o que tinha dito o Senhor por meio do profeta. Note-se que a referência explicita a Deus e excepcional nas introduções do evangelista aos numerosos textos bíblicos citados.

Na segunda parte (2,19-23) ainda vemos o paralelo entre jesus e Moisés. No Êxodo lemos queapós a morte dos seus perseguidores, Moisés pode deixar a terra de Madiã, onde tinha vivido como exilado, para voltar a sua pátria (Ex 4,19). O mesmoaconteceu com Jesus, o novo libertador. O confronto entre os dois fecha-se, portanto, com o motivo da salvação das mãos dos opressores. Deus tomouconta deles. A comunidade cristã, diante das violentas perseguições, não deve perder o ânimo.

Embora o texto do evangelho tenha esse sentido teológico vemos que Jesus é ainda um bebê e depende de seus Pais. Note bem, que a Sagrada Família também enfrenta dificuldades. Somente a fé e o amor podem dar forças a Família de Nazaré para enfrentar os problemas. Assim também nossas famílias devem se valer da fé e do amor a Deus para enfrentar as adversidades da vida.

Referência:

BARBAFLIO, G; FABRIS, R; MAGGIONI, B. Os Evangelhos I. Sao Paulo : Loyola,1990.

25 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).