“Senhor, quem entrará no santuário pra Te louvar?”

E mais uma vez é 14 de setembro. Foi há exatos vinte anos, em um cenário magnífico, composto pela luz do fim da tarde, a igreja lindamente ornamentada e a expressão no olhar das pessoas: estava ali, nítida, a união de carismas, estilos e devoções para acolher a grande notícia: a elevação da matriz do Senhor Bom Jesus de Matosinhos à categoria de santuário.

Desde as primeiras horas do raiar deste dia, os sinos anunciam a grande festa do Padroeiro do bairro. É possível sentir o cheiro das flores colocadas nos altares, ver a expressão de encanto dos primeiros fieis que no início deste dia chegam a seu santuário e as lágrimas que insistem rolar nos rostos dos que contemplam a bela imagem em seu andor, majestosamente ornamentado. Tudo fala aos nossos sentidos, tudo em nós celebra esse homem que tanto nos amou.

Ao longo do dia muitas pessoas passarão pelo seu templo repetindo os versos de uma famosa canção: Me disseram, porém, que eu viesse aqui, pra pedir de romaria e prece, paz nos desaventos. Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar. E assim a cena se repete: oração silenciosa, mãos postas, corações a rezar. Um grupo de amigos veste com orgulho a camisa que leva o rosto do Padroeiro. Outros chegam para levar um exvoto. Tanto para agradecer, tanto para falar, mas neste dia a emoção toma conta de todos. As missas são concorridíssimas, pois todos querem passar algumas horas em sua companhia, repetindo assim a bela experiência dos discípulos de Emaús que disseram: Fica conosco Senhor!

E ao cair da tarde, todos os olhos se voltam para a entrada principal do seu templo, pois é de lá, carregado nos ombros dos seus paroquianos, que o Senhor sairá, de braços abertos, para abençoar o povo que ansiosa e festivamente te espera pelas ruas daquele que é o seu bairro. E eu pergunto: o que é tudo isso? A resposta é muito simples: Fé! Uma fé que é alimentada nas belas celebrações que marcaram os dias de sua novena e que se perpetua por todo o sempre na memória de cada paroquiano e romeiro que vai até o seu santuário. Para muitos pode parecer loucura, mas para quem tem Fé, ali está o centro de nossa vida.

Muitos ainda não compreendem. Outros esperam algum milagre para de fato acreditar. Mas como bem diz: para quem não crê nenhum milagre é suficiente, mas para quem crê, nenhum milagre é necessário. Contemplamos no andor a imagem de um homem que, por sua decisão, abraçou sua cruz e morreu por amor. Contemplamos um homem vivo, de olhos bem abertos, que caminhou em nossa terra, sentiu nossas dores, viveu nossas mazelas. Se propondo e jamais se impondo, mudou radicalmente a vida daqueles que passaram por ele. Amou o pecador, nunca o pecado, e sempre tinha um gesto de cura, uma palavra de alento, uma expressão de coragem, uma manifestação de misericórdia, já que assim, de modo especial, manifestava sua onipotência.

Ao final do texto, ainda ficam perguntas descritas em uma bela canção gravada por Padre Antônio Maria: Quem é este homem importante que a todos escuta? Quem é este que apesar de ter toda honra e a glória, visita as casas e muda suas histórias? Quem é este que salva e perdoa os arrependidos, cicatriza as feridas da alma e levanta os caídos? A resposta vem na mesma canção: É o homem das mãos perfuradas que está por aqui, operando milagres tão grandes, como eu nunca vi. O homem das mãos perfuradas se chama Jesus … o Bom Jesus de Matosinhos!

Seduziste-nos Bom Jesus e nos deixamos seduzir e neste dia festivo, a liturgia coloca em nossos lábios as palavras do Salmista: Cantaremos eternamente as misericórdias do Senhor. Que este dia nos sirva de alento e sustento para caminhada, renovando a esperança de dias vindouros de saúde e paz. Que este dia nos traga também a certeza do pensamento de Santo Agostinho: Apaixonar-se por Deus é o maior dos romances; procurá-Lo, a maior das aventuras; encontrá-Lo, a maior de todas as realizações!

Ao Bom Jesus de Matosinhos toda honra, toda glória e todo louvor!

Salve 14 de Setembro, Salve o Bom Jesus!