Solenidade da Assunção de Maria

O especifico do cristianismo é a certeza de que a morte não tem a última palavra sobre as lutas de todos nós e sobre a criação inteira.

A festa da Assunção de Maria não quer dizer que ela não morreu. Quer somente transmitir que Maria, na sua integridade total está no céu. Ela é a primeira de todos nós. A morte não é o fim, mas somente uma passagem e Maria é o exemplo disso. Maria está naquela outra dimensão da existência que não sabemos chamar com outro nome a não ser céu. A festa da Assunção de Maria nos coloca no centro, no coração da pergunta: “e depois da morte?”

Na tentativa de responder a essa questão, a igreja compreendeu desde os primeiros séculos que Maria, mãe do Ressuscitado, antecipou aquilo que todos nós esperamos : a assunção de todo o gênero humano e de tudo o que é humano na vida com Deus, para sempre.

Embora a Igreja tenha proclamado o dogma da Assunção de Maria somente em 1950 pelo papa Pio XII, o povo cristão desde os primeiros séculos do cristianismo recordava a Assunção de Maria aos céus se esquecendo um pouco das outras festas de Maria mais evangélicas: A Anunciação da gravidez de Maria e sua Visita à prima Isabel, também grávida de João Batista. Quem sabe pelo desejo humano de uma vida sem fim, de uma vida plena de felicidade que todos desejamos e então projetamos em Maria inteiramente e integralmente no céu.

Esta festa da Assunção de Maria nos dá outra mensagem: O corpo tem um valor essencial. Não sabemos como seremos, mas sabemos que também o corpo será luminoso. A física quântica nos ilumina nisso: diz a física que tudo é matéria e tudo é luz.

Todas as coisas que existem são partículas, matéria, mas ao mesmo tempo luz, energia. Então nesta vida somos matéria, e do lado de lá seremos luz. Tudo aquilo que é vital, que é amor, que é vida, não termina mas será levado à plenitude. Tudo aquilo que é parcial, no lado de lá será total.

Tudo aquilo que iniciamos, do lado de lá será completado. Tudo aquilo que aqui na terra ficou como semente, do lado de lá será flor e fruto. Tudo que é impuro, imperfeito, limitado, do lado de lá será puro, perfeito, ilimitado. Nada do que é verdade, amor, vida será perdido mas tudo será recapitulado e encontrará plenitude.

Maria totalmente no céu não requer buscarmos explicações teológicas complicadas sobre sua morte … deixemos isso para os teólogos quebrarem a cabeça com as explicações deles.

Para nós é suficiente buscarmos a vivência de Maria narrada no evangelho de hoje: o encontro entre Isabel e Maria, celebrado por Maria com o canto do Magnificat e aumentar nossa fé na vida eterna que começa para cada um de nós aqui e agora, na medida da nossa capacidade de amar e sermos amados, um amor que manifesta a verdade da nossa fé e da nossa esperança. A liturgia da assunção reporta leituras que nada tem a ver com a Assunção: o Evangelho relata o caso da Visitação de Maria à sua prima Isabel.

Depois da anunciação do anjo, Maria pega a estrada, com solicitude, até a montanha onde morava sua prima, já idosa. É um encontro de obrigatória cortesia entre duas futuras mamães. Após o diálogo das duas, S. Lucas coloca nos lábios de Maria o Magnificat. O magnificat deve ser também o programa da Igreja. Mas quantos cristãos conhecem a mensagem do magnificat? Ele é cantado em melodias lindas a plenos pulmões, porém sem compreender o sentido ou o coração das palavras.

Sobre o magnificat já se disse de tudo e de mais além: até Lutero nos deixou um belo comentário. Mas que coisa é o magnificat, além das interpretações que lhe foram dadas? Uma observação deve ser feita: que os tronos dos poderosos cairão não é uma promessa de Deus, mas a lei da história.

Mesmo em nossas pequenas cidades, quantas vezes assistimos a queda de senhores locais… O problema é que cai um patrão, chega um outro que volta a dominar as pessoas! Então qual é o pensamento de Deus e de Cristo no magnificat? Não é tanto que os ricos se tornarão pobres e que os pobres assumirão os seus postos: desse modo as coisas não mudarão jamais.

Tudo está no coração do ser humano, onde a verdadeira riqueza não é ter menos, mas a liberdade de ser que, diante dos bens terrenos ou diante de qualquer responsabilidade de poder, impere a lei do serviço, o uso dos bens e o uso do poder a serviço dos mais fracos. A questão é ter aquela liberdade interior, sem a qual nos tornaremos também ou senhores ou escravos no nosso pensar e no nosso agir.

Que a festa da Assunção de Maria aos céus, alimente nossa esperança na alegria de uma verdadeira vida sem fim para sempre

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).