7º Domingo do Tempo Comum

Lc 6,27-38

“Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam”

O Evangelho do 7º Domingo do Tempo Comum é retirado de Lc 6,27-38. Esta perícope se encontra no contexto do discurso da planície que começamos a ler no domingo passado. As “bem-aventuranças” (cf. Lc 6, 20-26) propunham aos seguidores de Jesus uma dinâmica nova, diferente da dinâmica do mundo; na sequência, Jesus usa uma das palavras mais fortes de sua pregação: “amai vossos inimigos” (Lc 6, 27). Com essas palavras, Cristo pede adesão dos seus discípulos, propondo-lhes em termos radicais o seu projeto de vida.

A exigência de amar e perdoar não é uma novidade inserida por Jesus. Israel já conhecia a exigência do amor ao próximo (Lv 19,18); entretanto essa exigência tinha alguma limitação. O amor e o perdão descritos no Antigo Testamento apareciam limitados aos adversários israelitas (cf. 1 Sm 24, 26), aos compatriotas, àqueles a quem o crente estava ligado por laços étnicos, sociais, familiares, religiosos. Em contrapartida, o ódio ao inimigo – a esse que não fazia parte do mesmo povo nem da mesma raça – parecia, para o Antigo Testamento, algo natural (cf. Sl 35). Note que no evangelho, Jesus dá um passo adiante exigindo um amor sem restrições.

A proposta de Jesus é realista, visto que, considera a presença de demasiada violência e injustiça no mundo. Essa situação só pode ser superada com algo mais que amor. Este “algo mais” vem de Deus e definimos como misericórdia. Só a misericórdia pode inclinar o coração humano do mal para o bem.

Esta perícope evangélica é considerada a carta maior da não-violência cristã e não pode ser confundida com um pacifismo passivo. A não-violência para os cristãos não é um modo de ser da pessoa; é uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade.

O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”. Essa revolução não é baseada em estratégias de poder econômico, político ou midiático; também não se trata de nenhuma revolução aos moldes marxistas. A revolução cristã da qual falamos se baseia no amor, um amor que não se apoia nos recursos humanos, mas é dom de Deus que se obtém confiando unicamente e sem reservas na sua misericórdia. Eis a novidade do Evangelho.

Vivemos em tempos de ânimos acirrados onde uma simples palavra pode significar uma declaração de guerra. Precisamos retomar as palavras de Jesus que pediu para combatermos o ódio e o mal com o amor misericordioso.

Referências:

BENTO XVI. Um caminho de fé antigo e sempre novo: pregações para o ano litúrgico ano C. Tomo 3. São Paulo: Molokai, 2017.

FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os evangelhos II. 3 ed. São Paulo: Loyola, 1998.

24 anos. Natural de São João del-Rei. Secretário de Comunicação da Diocese de São João del-Rei, trabalhando no DEDICOM (Departamento Diocesano de Comunicação). Cursa Comunicação Social/Jornalismo na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).