No quarto Domingo da Páscoa, celebramos com toda a Igreja o Cristo vivo e ressuscitado, que continua a apascentar o seu rebanho como o Bom Pastor. Celebramos também, neste dia, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, tomando consciência de que a presença do Ressuscitado na vida da Igreja e do mundo se manifesta na resposta generosa ao chamado vocacional e na vivência concreta desse dom em nossas comunidades, seja na vida leiga, sacerdotal, consagrada ou matrimonial.
O Papa Leão XIV, em sua mensagem para o LXIII Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convida toda a Igreja a compreender a vocação a partir da interioridade, como descoberta do dom de Deus que floresce no mais profundo do coração humano. Nesse horizonte, propõe um caminho de discernimento vocacional estruturado em quatro vias: a beleza, o conhecimento recíproco, a confiança e o amadurecimento.
A via da beleza. Segundo o pontífice, para conhecer a beleza do chamado vocacional não bastam apenas os olhos do corpo, nem as dimensões da estética ou da materialidade, mas é necessária a contemplação e a interioridade.
“Só quem se detém, escuta, reza e acolhe o seu olhar pode dizer com confiança: ‘Acredito nʼEle, com Ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza’. Assim, a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza” (Papa Leão XIV).
Conhecimento recíproco. Deus nos conhece profundamente e, para cada um de seus filhos, pensou um caminho único de santidade e serviço. Contudo, esse caminho de conhecimento deve ser também recíproco: somos chamados a conhecer o Senhor pela oração, pela escuta da Palavra, pela vida sacramental e pelo serviço aos irmãos.
“Parai, portanto, em adoração eucarística, meditai assiduamente a Palavra de Deus para a viverdes todos os dias, participai ativa e plenamente na vida sacramental e eclesial. Desta forma, conhecereis o Senhor e, na intimidade própria da amizade, descobrireis como doar-vos no caminho do matrimónio ou do sacerdócio, ou do diaconato permanente, ou na vida consagrada, religiosa ou secular: cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria” (Papa Leão XIV).
Confiança. Do conhecimento recíproco nasce a confiança, atitude profundamente enraizada na fé e necessária tanto para acolher a vocação quanto para perseverar nela.
“É necessário cultivar uma confiança sólida e permanente nas promessas de Deus, sem nunca ceder ao desespero, superando medos e incertezas, certos de que o Ressuscitado não nos abandona nas horas mais sombrias […]. E é precisamente graças à luz e à força do seu Espírito que, mesmo através de provações e crises, podemos ver a nossa vocação amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza dʼAquele que nos chamou, uma beleza feita de fidelidade e confiança, apesar de nossas feridas e quedas” (Papa Leão XIV).
Amadurecimento. A vocação não é uma decisão imediata ou estática, mas um caminho dinâmico de discernimento e amadurecimento.
“A vocação, portanto, não é uma posse imediata, algo ‘dado’ de uma vez por todas: é antes um caminho que se desenvolve de forma análoga à vida humana, em que o dom recebido, além de ser guardado, deve alimentar-se de uma relação quotidiana com Deus para poder crescer e dar fruto” (Papa Leão XIV).
Celebremos, portanto, com fé e esperança o Domingo do Bom Pastor e o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. E a você, jovem que sente o chamado do Senhor, não adie a sua resposta: inicie com coragem e generosidade um caminho maduro de discernimento vocacional.
Link: Mensagem do Santo Padre para o LXIII Dia Mundial de Oração pelas Vocações 2026




Texto: Diácono Luís Alberto dos Santos





