Termina nesta sexta-feira, 24, a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunindo bispos de todo o país em dez dias de oração, debates e definições pastorais no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Realizado entre os dias 15 e 24 de abril, o encontro consolidou reflexões importantes para a missão da Igreja Católica no Brasil, com destaque para a aprovação e encaminhamento das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que irão orientar o trabalho pastoral nos próximos anos .
O encerramento da 62ª Assembleia Geral da CNBB ocorreu no interior do Santuário Nacional de Aparecida/SP, com missa às 7 horas presidida pelo cardeal Jaime Spengler e coletiva de imprensa às 10h. Durante a assembleia, mais de 350 bispos participaram de sessões de estudo, celebrações litúrgicas e momentos de escuta e discernimento, abordando temas centrais como a realidade social do país, os desafios da evangelização e a aplicação do Sínodo da Sinodalidade nas dioceses.
O evento, considerado o principal organismo deliberativo da Igreja no Brasil, também analisou relatórios da presidência da CNBB, discutiu iniciativas pastorais e avaliou projetos como as Campanhas da Fraternidade, além de produzir mensagens e orientações destinadas às comunidades eclesiais.
Ao final dos trabalhos, os bispos retornam às suas dioceses com o compromisso de colocar em prática as decisões tomadas em comunhão, reforçando o espírito sinodal e a presença da Igreja junto às realidades locais. A expectativa é que os encaminhamentos da 62ª Assembleia Geral fortaleçam a atuação pastoral em todo o país, promovendo uma Igreja cada vez mais próxima do povo, atenta aos sinais dos tempos e comprometida com o anúncio do Evangelho.
“Destaco como ponto marcante em nossa Assembleia a troca de experiências com os irmãos no episcopado e, principalmente, o estudo e a aprovação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Também destaco o momento de espiritualidade que tivemos no início da nossa Assembleia”, pontua Dom José Eudes Campos do Nascimento, Bispo Diocesano de São João del-Rei.


A celebração
A homilia foi inspirada no Evangelho de João (Jo 6,52-59). O presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre/RS, Cardeal Jaime Spengler, retomou o envio missionário confiado à Igreja. “Ide a todos, pregai o evangelho. A vida que todos desejamos nos é oferecida pela humanidade de Jesus na Sua Carne e Sangue oferecidos para a salvação do mundo. Jesus é a palavra tornada Carne, para que Nele a Carne reencontre a palavra”, proclamou.
Dom Jaime destacou que crer em Cristo, Pão Vivo, implica participar concretamente de sua entrega. Segundo ele, a Carne de Cristo não é metáfora, mas presença real oferecida a cada pessoa de boa vontade e aos que se reconhecem peregrinos em busca de um encontro autêntico com o Senhor.
“Nós nos tornamos aquilo que comemos, ou talvez melhor, nós nos tornamos aquilo ou naquele que amamos e o modo de ser e de viver Dele tem o modo da doação, da entrega, do serviço, da solidariedade, da sobriedade”, declarou
Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil foi aprovada por unanimidade na manhã da última quinta-feira, 23 abril. Desde o início da assembleia, no dia 15 de abril, os bispos tem se dedicado a analisar o texto das diretrizes, apresentado pela Comissão de elaboração das diretrizes. Divididos em grupos por regionais, o episcopado apresentou um total de 656 emendas ao texto original, que foram acatadas pela comissão e está presente, em quase sua totalidade, no texto final apresentado nesta manhã aos bispos.
Antes da aprovação, dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão responsável pelas diretrizes, apresentou ponto a ponto o novo texto com a inclusão das emendas. Segundo o bispo, quase 90% das emendas recebidas foram incorporadas ao texto final. “Sempre preservando a unidade, a coerência e o horizonte global do texto”, destacou dom Leomar. “Fizemos o melhor possível para que esse texto seja a expressão real da nossa caminhada comum.”
Ao final da apresentação das diretrizes por dom Leomar, os bispos aplaudiram de pé, reconhecendo todo trabalho da comissão e o empenho em espírito de verdadeira comunhão, como destacou dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB. “Creio que temos em mãos um verdadeiro pentecostes, isto é obra do Espírito, não nossa, é do Espírito de Deus”, falou dom Jaime.
Após a correção do texto, as diretrizes estarão disponíveis, de forma impressa pelas Edições CNBB, em quatro semanas.


Mensagem ao povo: um alerta para violência, desigualdade e crise social
O episcopado brasileiro divulgou, nesta sexta-feira, 24, a tradicional “Mensagem ao Povo Brasileiro” durante o último dia da 62ª Assembleia Geral, que acontece no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida. O documento traz reflexões sobre o momento atual do país e do mundo, destacando tanto sinais de esperança quanto desafios urgentes.
Inspirados pelo tempo Pascoal, os bispos afirmam que há motivos para esperança, como iniciativas de solidariedade, promoção da cidadania e defesa da vida. No texto, também são valorizadas ações voltadas à economia solidária, à democracia e aos direitos humanos.
Apesar disso, a mensagem faz um alerta contundente sobre o cenário global e nacional. Segundo os bispos, o mundo vive “tempos de incertezas e sofrimentos”, marcados por guerras, fome e destruição. O documento cita ainda preocupações com a concentração de poder e interesses econômicos que impactam negativamente a vida das populações.
No contexto brasileiro, a mensagem chama atenção para o avanço da violência e do crime organizado. De acordo com o texto, práticas como o narcotráfico e a atuação de milícias têm fortalecido um ambiente de insegurança, especialmente nas periferias, onde essas organizações chegam a controlar territórios e enfraquecer instituições legítimas.
A mensagem também reforça a defesa da vida “desde a concepção até a morte natural” e destaca a necessidade de políticas públicas que garantam dignidade à população, sobretudo aos mais pobres. Ao final, os bispos reafirmam o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz, da justiça social e da esperança, convidando a sociedade brasileira a construir caminhos de fraternidade e solidariedade.
19º Congresso Eucarístico Nacional
Dom João Justino, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou aos bispos sobre 19º Congresso Eucarístico Nacional, que será realizado em setembro de 2027 em Goiânia (GO). O evento é organizado pela Arquidiocese de Goiânia em colaboração com as dioceses do regional Centro-Oeste da CNBB, que abrange o Distrito Federal e o estado de Goiás.
O tema desta edição será “Hóstias vivas, no mundo, para a glória do Pai”. Jesus, que desejou ardentemente comer a páscoa com seus discípulos (cf. Lc 22,15), instituiu em seu Corpo e Sangue a Nova Aliança com a humanidade, ordenando que seus discípulos repetissem aquele gesto em sua memória. Ao final da fala de dom Justino, os bispos rezaram juntos a oração do 19º Congresso Eucarístico Nacional.
Edições CNBB
Monsenhor Jamil Alves de Souza, diretor-geral das Edições CNBB, falou aos bispos sobre a editora, destacando algumas produções publicadas. As Edições CNBB são a editora oficial voltada à publicação, divulgação e distribuição de documentos e subsídios da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e de outras instâncias da Igreja. Seu catálogo abrange livros, folhetos, revistas e conteúdos digitais, com foco no apoio à missão evangelizadora.
Monsenhor Jamil apresentou também uma novidade que está sendo preparada pelas Edições CNBB: um aplicativo para celular da Bíblia e a biblioteca CNBB Digital, com os textos oficiais para dispositivos móveis. “O projeto contempla uma trilha de leitura orientada pelo método da Lectio Divina, o acesso integral à liturgia da palavra e comentários bíblicos oficiais. No ambiente web, a biblioteca CNBB Digital vai centralizar todo o acervo de documentos da Igreja com pesquisa de palavras e outros termos contidos nos documentos”.
Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja
Os bispos aprovaram também, nesta manhã, a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. O objetivo é a preservação do patrimônio cultural da Igreja Católica, com estudos iniciados em 2025. A iniciativa visa captar recursos para restaurar e manter bens sacros.
Em setembro de 2025, a Presidência da CNBB aprovou e constituiu o “Grupo de Trabalho sobre o Fundo Patrimonial Filantrópico para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil”. Desde então, o grupo de trabalho realizou diversas reuniões para o estudo técnico sobre o tema e a elaboração da proposta conceitual.




Informações: CNBB






