Festa do Livramento reúne milhares de fiéis em comunidade rural de Prados

Foi grande a movimentação na comunidade do Livramento, localizada na zona rural entre Prados e Dores de Campos, no último final de semana. Milhares de fiéis se deslocar até o distrito para festejar Nossa Senhora do Livramento. A festa, que acontece há quase um século, mobiliza as duas Paróquias e tem um cunho social muito importante, afinal sua renda é totalmente revertida para a Santa Casa de Prados e para obras assistenciais sociais da paróquia.

A origem deste titulo dedicado a Virgem Maria remonta a cultura religiosa portuguesa e está envolta em poesia e devoção. A programação teve início na quinta-feira, 25, com a realização do tríduo preparatório, e seguiu até o último domingo, contando com celebrações de missas e procissão. Na sexta-feira, 26, uma procissão motorizada pelos municípios de Prados e Dores de Campos emocionou os fiéis.

Para o dia maior da festa, houve diversos horários de missas. Dom José Eudes Campos do Nascimento, Bispo da Diocese de São João del-Rei, presidiu a missa festiva. A celebração também contou com a presença do Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, da cidade de Prados, Padre Lucas Alerson de Souza.

“A Festa de Nossa Senhora do Livramento é uma das grandes celebrações que marcam o calendário da Paróquia de Prados e também de toda a região, uma vez que ela reúne no alto daquele monte descampado uma numerosa multidão de peregrinos e devotos que ali vão buscar a graça necessária e louvar a Mãe de Deus. É impressionante o fluxo de pessoas que para lá se dirige, tendo como principal motivação a fé. É inevitável permanecer pouco tempo perto do andor de Nossa Senhora e não ouvir relatos de graças alcançadas, de situações difíceis que foram resolvidas, graças à intercessão de Nossa Senhora. Realmente, diante daquela realidade sem muito conforto para todos, existe algo muito maior que congrega e que convida toda aquela multidão para as celebrações e em torno da devoção de Nossa Senhora do Livramento. Estou há um ano e meio como Pároco na Paróquia de Prados e, no ano passado foi a minha primeira experiência com a Festa do Livramento. Pude perceber que para além de todo o movimento de comércio popular e de reunião de famílias que por ali passam o dia todo, existe um movimento espiritual ainda muito maior e mais relevante, que faz com que muitas pessoas ali se encontrem e se reanimem diante de suas necessidades”, pontua o sacerdote.

O sacerdote ainda destacou a adesão dos fiéis em relação as campanhas de arrecadação realizadas pela comunidade. “Em algumas datas específicas fazemos alguns eventos para gerarmos recursos para algumas melhorias necessárias na Capela. Nestes últimos meses conseguimos trocar os bancos da Capela e também dar uma nova pintura no prédio da Capela já para a Festa. Tudo graças ao apoio e envolvimento dos devotos de Nossa Senhora. A Festa do Livramento já há muito tempo é aberta oficialmente por uma Caminhada que acontece no domingo anterior à Festa. Da cidade de Prados e Dores de Campos saem grupos de pessoas que vão para o alto do Livramento caminhando e em peregrinação. Na chegada, celebramos a Santa Missa e logo em seguida, os carreiros com seus carros de boi oferecem prendas em seu desfile, como sinal também de devoção e agradecimento a Nossa Senhora. Para as famílias é um dia agradável de oração, divertimento e também de convivência harmoniosa”.

Além da programação religiosa, também foi grande a movimentação de barracas e comerciantes.

A DEVOÇÃO EM SUA CAPELA

A devoção mariana ao título de Nossa Senhora do Livramento chega às terras brasileiras com a colonização portuguesa e se instala, por primeiro, nas capitanias e terras nordestinas. Tanto é que as primeiras construções e paróquias dedicadas à Nossa Senhora do Livramento encontram grande expressão, primeiramente, entre os estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Em Minas Gerais, a devoção a Nossa Senhora do Livramento chega a alguns lugares a partir do século XVIII, período áureo do desenvolvimento civil, artístico e religioso da região. Embora tal devoção surja também em outros lugares mineiros, é no município de Prados que o culto ganha relevância por meio da construção de uma capela, que favoreceu significativamente o movimento religioso do lugar por meio da devoção à Nossa Senhora.

Segue abaixo, a transcrição do documento que rege a Provisão de construção da capela, feita pelo historiador Dario Cardoso Vale:

“Aos 2 de abril de 1753 se registrou uma provisão passada em favor do Padre Manoel Gomes da Costa, morador da Freguesia (Paróquia) dos Prados, para erigir uma capela com a invocação de Nossa Senhora do Livramento e Santo Ignácio, na dita sua fazenda”. (Cf. De fls 36 do livro de registro de Provisões da Cúria Metropolitana de Mariana – MG).

A Capela é uma construção modesta, porém sólida e localizada na parte mais alta de uma colina, de onde se descortina um belo panorama. Está circundada por um muro de pedra. Esta parte fechada é o adro que também já serviu de cemitério ao longo de muitos anos. Tem um frontispício simples, sem ornatos, com uma porta de madeira almofadada e duas janelas. Ligada à Igreja, e num mesmo plano, possui uma torre com um sino. Nas partes laterais tem duas portas, uma de cada lado. (Cf. VALE, Dario Cardoso. Memória Histórica de Prados, 1985).

A imagem de Nossa Senhora do Livramento, orago principal da Capela, é uma obra confeccionada em madeira, ricamente policromada, datada da primeira metade do século XVIII e atribuída ao famoso e anônimo santeiro denominado Mestre de Lagoa Dourada, escultor que possui rica e vasta imaginária distribuída pelos mais antigos lugares de Minas Gerais. A escultura representa a Virgem Maria, vestida de uma túnica clara, adornada com flores, trajando também um manto azul com avesso vermelho, entrelaçado entre os seus dois braços. No braço esquerdo carrega o Menino Jesus, e tem a mão direita estendida em direção ao mesmo. A Virgem encima dois querubins, que se encontram voltados um para o outro, com um olhar sereno para baixo.

A Festa em honra de Nossa Senhora do Livramento acontece, geralmente, no último domingo do mês de junho, reunindo no alto daquele morro uma grande quantidade de fiéis e devotos vindos de toda a região para participar da Santa Missa e visitar a imagem de Nossa Senhora e sua capela. Devido ao intenso movimento nesses dias de festa, a parte social ainda possui barracas de comércio popular, barraca com comidas típicas e leilão de gado.